Grande Dumoulin!
Vitória mais que merecida e que podia ter sido bem mais desafogada sem o azar de perder o seu principal gregário (Kelderman), a indisposição e a sua própria equipa ter atacado quando ia no fundo do pelotão. Isto para além de ter uma equipa inferior à concorrência para a montanha, pelo que tinha de ser sempre ele a responder sozinho.
Só não acertei nos dois últimos lugares do pódio porque o Quintana esteve muito bem no contra-relógio. Foi das poucas vezes que esteve bem neste Giro. De resto só no Blockhaus se viu um Quintana à altura, e mesmo assim ajudado pela queda de vários adversários. Aquele que é dito como o melhor trepador, não conseguiu fazer diferenças relevantes para o Tom Dumoulin na montanha.
O Nibali acabou por estar melhor do que esperava. Acho que ele não tem a forma de outrora, mas esteve num bom nível e por pouco que não ultrapassou o Quintana na geral.
Pinot fez uma última semana espectacular, mas os cronos estragaram-lhe muito o Giro. O campeão francês de contra-relógio devia fazer muito melhor. Estamos a falar de uma potência no ciclismo.
Zakarin faz 5º e comprova que tem qualidade para isto e quem sabe, um pódio de uma grande volta no futuro.
E que bela vitória do Jos van Emden. Só pela forma como se emocionou e festejou no pódio se vê que lhe faltava muito isto. E vencer a última etapa de uma grande volta é especial.
Quanto aos tugas.
O Rui Costa acaba o Giro sem saber se foi positivo ou não. Pelo lado negativo, não cumpre nenhum dos seus objectivos, que seria fazer Top10 ou vencer uma etapa, algo que procurou bastante, e de negativo também aquela etapa onde a Emirates faz de tudo para o levar à vitória e ele deixa fugir o Rolland. Por outro lado, fez 2º lugar por três vezes, o que também não é para qualquer um, para além de ter demonstrado grande vontade de vencer.
O José Gonçalves viu-se bem nos últimos dias na tentativa de fazer o Zakarin subir posições e se o russo esteve na luta por lugares mais altos, também pode agradecer a ele. Gostava de ter visto o José Gonçalves mais vezes em fugas, pois acho que tem uma boa capacidade de explosão e ponta final.
O José Mendes acabou por estar um bocado escondido no Giro. Esteve bem em várias etapas de montanha, acompanhando os líderes até bem longe. Mas é um pouco estranho ver um campeão português fora de qualquer luta.