in Carro-Vassoura
"A UAE-Emirates foi perfeita e não merecia perder assim.
A Emirates começou por colocar Matej Mohoric na frente, o que permitiu que Jan Polanc, Valerio Conti e Rui Costa se poupassem no grupo perseguidor. E quando Mohoric foi alcançado fez um excepcional trabalho no grupo para manter o grupo controlado e o pelotão à distância.
Foi até rebentar.
Quando rebentou, Jan Polanc ainda estava virtualmente próximo da camisola rosa, mas já tinha ficado claro que iam poupar Rui Costa para tentar a vitória de etapa. Valerio Conti foi incansável.
Valerio Conti atacou e puxou enquanto pôde, permitindo a Rui Costa evitar de trabalhar atrás. Curiosamente, Valerio Conti (apenas 24 anos) já tinha feito trabalho muito semelhante no Giro passado, quando Diego Ulissi conseguiu a sua primeira etapa nessa edição. E venceu uma etapa na Vuelta 2016, também em fuga.
Depois Pierre Rolland atacou. E Rui Costa ficou à espera. Falta de força não foi, como se viu no sprint final, mas Rui Costa não respondeu, não atacou, não puxou. Há um momento, já nos últimos 5 km, em que se chega à frente e logo olha para trás à espera que alguém vá fazer o seu trabalho (como na Amstel Gold Race deste ano, no grupo que foi alcançado porque apenas Valverde, van Avermaet e Wellens puxavam).
O grupo não chegou a Rolland, Rolland venceu (e bem merecia).
Ninguém é obrigado a vencer. Ninguém tem culpa se um adversário estiver melhor. Mas Rui Costa não perdeu por falta de capacidade nem de ajuda dos colegas, perdeu por falta de atitude, ou pela habitual atitude de chupar roda. Outra vez.
Não é novidade. Publicamente já foi criticado, pelo menos, por Pinot, Barguil, Bardet, Sagan, Dumoulin e Jungels.
Mas esta não foi uma vez qualquer. Foi uma vez em que a Emirates fez tudo o que se podia esperar e perdeu porque Rui Costa ficou à espera da atitude dos adversários para completarem o trabalho dos seus colegas.
Desta vez fica muito difícil, até para os mais crente, a habitual conversa de culpar os colegas, ou de dizer que a equipa é fraca, ou que não colocaram no sítio certo. Resta aguardar pelo habitual diário, onde se espera mais uma belíssima desculpa para quem ainda acreditar."