Em primeiro lugar vou falar do meu pai. O meu pai trabalha numa oficina desde as 8 da manhã até às 10 da noite, de Segunda a Sábado, apenas com intervalos para almoçar e para ir lanchando. É patrão e tem 3 empregados que no geral trabalham 11 horas por dia, um pouco menos que o meu pai. O trabalho dele tem reconhecimento aqui na terra, uma vez que ele vê-se à rasca para cumprir com todos os trabalhos a hora. Ok, é excessivo, mas arranjou uma maneira de fintar a crise, pelo menos nunca passei fome.
Na minha zona há uma oficina com cerca de 20 empregados que abre às 9h e e fecha às 18h e não trabalha ao Sábado. Resultado: vai fechar daqui a um mês.
Vejamos a diferença entre os dois casos: o meu pai trabalha imenso, ao contrário do português normal, que entre em vez de entrar às 9h entra às 9h10 e que às 17h já está a ver quanto tempo falta para sair às 18h e que aos sábados se recusa a trabalhar pois é dia de futebol. Logo, como o meu pai não é preguiçoso e não tem medo de ficar mais tarde na oficina e de se cansar, e de trabalhar aos sábados, tem trabalho e consegue manter o pequeno negócio e os empregados. A tal oficina tem muita gente, mas como são preguiçosos, como só pensam em não fazer nada etc, vão fechar. São o português normal.
Como eu disse, o meu pai é caso raro, mas imaginem que haviam muitas pessoas como o meu pai, imaginem que nós éramos uma espécie de China, como estaríamos...
Em segundo lugar vou falar do português normal num supermercado. Ele chega lá e vê: Banana de Espanha, imaginem 0,50€/kg e vê Banana da Madeira 0,60€/kg. O que compra o português normal? Banana espanhola, claro, porque é 0,10€ mais barata. Ora se todos nós comprássemos Banana da Madeira, os espanhóis viam que não compensava investir em Portugal, não exportavam para Portugal, os produtos portugueses desceriam o seu preço, o governo poupava o dinheiro da importação e a economia nacional ficava a ganhar. Se eu estou a falar à politico, corrijam-me, se houver economistas por aqui. Imaginem que comprávamos só coisas portuguesas, imaginem que os grãos de areia que a economia ganhava se só se comprassem bananas da Madeira, a multiplicar pelos morangos portugueses, pelas pêras portuguesas, etc... Já dava para uma praia, já era um bom aumento da economia portuguesa.
Mas não é só fruta. Sabiam que grande parte da electricidade é importada e são pagas enormes taxas ao estrangeiro. Pois é. No entanto, Portugal está localizado junto ao mar, podia aproveitar as marés, Portugal tem um enorme dias de incidência solar, podia aproveitar este mesmo Sol, Portugal é montanhoso, podia aproveitar os ventos, etc, e não o faz. Está bem que exigia investimento, e talvez impostos num tempo relativamente curto, mas compensaria. Mas o português não se está para sacrificar para viver bem daqui a uns anos, só pensa no agora, vê-se o resultado.
Ainda não acabei, já virão o que é gasto em subsídios de desemprego etc? Pois é, no programa da Fátima Lopes há uns tempos apareceram lá várias pessoas das quais vou destacar uma cabeleireira, que colocou um anuncio no Centro de Emprego, e no qual apareceram mais de 50 candidaturas "obrigadas" e das quais apenas uma jovem alentejana, licenciada em engenharia, aceitou o lugar. A cabeleireira, essa, destacou uma candidata que esteve um dia à experiência e que no fim do dia, apresentou o papel à cabeleireira conforme comprovava ao Centro de Emprego que esteve no salão nesse dia e que depois deste estar assinado, a candidata afirmou: "não estou para estar um dia inteiro a lavar cabeças". Hoje esta senhora deve estar como eu, em casa. É caso único? Não.
Mas o governo não é inocente. Eu até não desgosto deste Primeiro Ministro, mas o Sócrates, o Durão, o Jardim e outros, estragaram o país com grandezas. Só em projectos e estudos relacionados com o TGV, com o novo aeroporto, etc, que como sabeis nunca saíram do papel gastaram-se milhões e milhões que poderiam ser usados para ajudar a pagar esta crise. Vejam também como anda o aeroporto de Beja, e ainda bem que não construiriam um por aqui (Coimbra) como chegaram a falar. Esta mania das grandezas colocou-nos neste estado... E mais, penso que todos os amantes de futebol amaram ver o EURO 2004, eu amei. Mas só pude amar um mês, mas o dinheiro que se gastou com estádios era desnecessário. Já haviam estádios tão bons... Como podeis ver, apenas 3 estádios já "justificaram" o gasto, o de Alvalade, o da Luz e o do Dragão. Nos outros 7, nem digo nada... Já para não falar do autódromo do Algarve, entre outras infraestruturas modernas desnecessárias. E também já não falo da corrupção que tem havido sempre em todos os mandatos. Quem acha que paga estas grandezas?
Eu podia ficar aqui o dia todo a falar dos erros do Zé Povinho e do Governo, e de como Portugal anda mal, mas não me vou alargar ainda mais, fica aqui o meu desabafo.