Re: Ah, e tal...

07 Set 2019, 20:50 [#7801]
eduardextreme Escreveu:
07 Set 2019, 12:53
Qual é o partido de esquerda realmente inteligente? O PCTP-MRPP? xD
Fui ver que partidos vão a eleições, deves estar a falar do Livre, não? Que raio têm eles de inteligente em relação aos outros? Tenho ideia de serem o Bloco de Esquerda B.
O PCTP-MRPP? Ainda existe isso? :D O comunismo (felizmente) está quase morto em Portugal, e se o eleitorado mal chega para um partido, quanto mais para dois :D Então desde que expulsaram o outro bacano, morreram.

Estava a falar do LIVRE, claro. Eu pensava um bocado como tu, tinha ficado com essa ideia nas Europeias, mas informei-me um bocado melhor e é um rótulo errado, a começar pela forma que eles vêm a ciência e a tecnologia. Enquanto tu vês estas idiotices vindas do Bloco, ou do PAN que é um partido ecologista acéfalo, no LIVRE vês um partido com forte caráter ecologista mas progressista, vês no LIVRE um partido que sabe que os desafios ecologistas se ultrapassam com I&D e conhecimento, não se ultrapassam a idealizar quase um mundo pré-histórico onde todos temos de ser vegans porque se não estamos a deixar uma pegada ecológica enorme. Dá uma olhada no programa deles e perceber-me-ás.

É um espetro político diferente daquele que eu defendo como vocês sabem, mas gostava genuinamente que o LIVRE elegesse.

Re: Ah, e tal...

08 Set 2019, 00:50 [#7802]
Eu gostava que muitos se não mesmo todos os partidos conseguissem eleger pelo menos um deputado, como fez o PAN.
Acho que há coisas que é importante falar que os partidos do costume não falam. A oposição é fraca.

Por exemplo, mesmo não sendo defensor deles, acho que um partido como a Iniciativa Liberal faria bem melhor oposição à direita do que faz o PSD e o CDS. E um partido como o Basta iria também fazer muita comichão no parlamento.

Está tudo a bater palmas a um indiano quando os portugueses estão mais pobres que há uns anos, expulsos da cidade onde vão viver os turistas e reformados estrangeiros a quem são atribuídos vistos dourados, com serviços de saúde, justiça e administrativos lotados e transportes públicos a cair de velhos, a pagar a maior quantidade de impostos diferentes que algum país deve ter, alguns deles até ilegais (ISV), cujo dinheiro vai para ajustes directos e PPP de empresas de familiares, amigos ou lobbies.
Chama-se Cleptocracia e o problema é que, quando os problemas começam a surgir, já o país foi saqueado.
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Re: Ah, e tal...

08 Set 2019, 12:23 [#7803]
Esse teu penúltimo parágrafo é uma delicia, porque é verdade. O socialismo, ideologicamente, caracteriza-se por tirar dinheiro a todos os cidadãos via impostos para investir no setor público. Em Portugal, a carga fiscal é do mais elevado que há, e no entanto não há um único serviço público que funcione. Como é que o PS está tão bem cotado? Pois, em parte porque a oposição é uma merda e em parte porque os Portugueses são burros, porque com os impostos que pagam, só tinham mais é que exigir.

Fazem falta partidos novos, interessantes e inteligentes no Parlamento. O Chega não é um deles porque o AV é um idiota e é certamente mais do mesmo, só que com muito populismo. Mas sim, gostava de ver uma série de partidos representados. Por razões óbvias, gostava de ver lá a Iniciativa Liberal, mas também gostava de ver lá o LIVRE, gostava de ver lá o Aliança (mas não por Lisboa, porque Santana é lixo) (que é um partido muito interessante ideologicamente criado por um otário) e gostava de lá ver o Nós Cidadãos, além dos que já lá estão (vá, o PCP e o CDS são uns inúteis, mas enfim).

Re: Ah, e tal...

08 Set 2019, 14:09 [#7804]
Basta ver o estado que o PS/Sócrates deixou o país mas os maus da fita é o PSD/Passos Coelho por abrirem as pernas à Troika ao tentar salvar esta merda. Levantou-se um bocado o país, voltou o PS e o povinho adora porque "em vez de 580€ vão ganhar 600€".

O PSD é uma merda, não se enganem. Não estou a defender mas desde esse tempo que já desisti de acreditar na Politica Portuguesa.

E FOI PARANHOS QUE OS F0DEU!

Re: Ah, e tal...

08 Set 2019, 15:01 [#7805]
CFC Escreveu:
08 Set 2019, 12:23
O Chega não é um deles porque o AV é um idiota e é certamente mais do mesmo, só que com muito populismo.
Mesmo que eu o ache também um idiota, acho que era importante ter alguém a dizer algumas verdades inconvenientes no parlamento, mesmo que também pudesse dizer muita merda ao lado. Mais que não seja para dar munição aos outros partidos.
CFC Escreveu:
08 Set 2019, 12:23
gostava de ver lá o Aliança (mas não por Lisboa, porque Santana é lixo) (que é um partido muito interessante ideologicamente criado por um otário)
O Aliança é mais um partido sem nada de novo para se juntar ao PSD e CDS. Seria politicamente irrelevante.
CFC Escreveu:
08 Set 2019, 12:23
vá, o PCP e o CDS são uns inúteis, mas enfim
Não totalmente. Há sempre algumas coisas boas que vão puxando para a agenda e conseguindo fazer passar. Como os manuais escolares gratuitos no caso do PCP.
Padrão Escreveu:
08 Set 2019, 14:09
Basta ver o estado que o PS/Sócrates deixou o país mas os maus da fita é o PSD/Passos Coelho por abrirem as pernas à Troika ao tentar salvar esta merda. Levantou-se um bocado o país, voltou o PS e o povinho adora porque "em vez de 580€ vão ganhar 600€".
A questão é que o PS está a fazer o trabalho que o PSD faria em boa parte. Ao fazer o trabalho deles, secou-lhes os argumentos e a direita implodiu.
O PS neste momento nem é de esquerda, é um centrão.
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Re: Ah, e tal...

08 Set 2019, 19:20 [#7806]
Padrão Escreveu:
08 Set 2019, 14:09
Basta ver o estado que o PS/Sócrates deixou o país mas os maus da fita é o PSD/Passos Coelho por abrirem as pernas à Troika ao tentar salvar esta merda. Levantou-se um bocado o país, voltou o PS e o povinho adora porque "em vez de 580€ vão ganhar 600€".

O PSD é uma merda, não se enganem. Não estou a defender mas desde esse tempo que já desisti de acreditar na Politica Portuguesa.
Aqui há dias li que há um termo político que é "pega-tudo". Tem página de Wikipedia e tudo - https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_pega-tudo . Vejam qual é que o exemplo tuga desse tipo de partido - pois, o PSD. O PSD tanto é um partido liberal (Passos Coelho) como é um partido socialista (Rio). Basicamente, é um partido que anda ao sabor do vento, e não tem propriamente uma ideologia definida. O Passos Coelho até nem foi mau primeiro-ministro. Falhou em toda a linha nalguns aspetos, como a privatização dos CTT por exemplo, mas por outro lado fez coisas que fazem todo o sentido. Para que é que a TAP é pública? Porque é que temos (povo) de pagar prejuízos constantes da TAP? Mas acima de tudo, o Passos Coelho apanhou um contexto de merda, que é precisamente o que dizes. Ver a esquerda toda revoltada com as políticas do Passos Coelho quando a culpa de termos de entrar por políticas desse género foi precisamente da esquerda (PS, neste caso), é só hipócrita. O PSD percebeu entretanto que ter lá alguém que, com os seus defeitos todos, queria salvar as contas públicas, na tugalândia é pedir para perder. Então é por isso que é agora um partido ao sabor das novas tendências dos portugueses, que são tendências socialistas. Por isso é que são uma oposição de merda.
eduardextreme Escreveu:
CFC Escreveu:
08 Set 2019, 12:23
O Chega não é um deles porque o AV é um idiota e é certamente mais do mesmo, só que com muito populismo.
Mesmo que eu o ache também um idiota, acho que era importante ter alguém a dizer algumas verdades inconvenientes no parlamento, mesmo que também pudesse dizer muita merda ao lado. Mais que não seja para dar munição aos outros partidos.
É meio caminho andado para o português, que como concordamos tem um défice cognitivo, começar a aceitar os populismos. Depois viria um André Ventura mais inteligente e arriscávamo-nos a vê-lo eleito primeiro-ministro. O tipo de verdades inconvenientes que o AV diz são superficialidades. A questão dos ciganos é uma vergonha, estou de acordo, mas não pode ser uma prioridade num país com problemas tão estruturais

eduardextreme Escreveu:
CFC Escreveu:
08 Set 2019, 12:23
gostava de ver lá o Aliança (mas não por Lisboa, porque Santana é lixo) (que é um partido muito interessante ideologicamente criado por um otário)
O Aliança é mais um partido sem nada de novo para se juntar ao PSD e CDS. Seria politicamente irrelevante.
Não concordo. O Aliança é um partido que o Santana criou porque estava chateado com o PSD mas que juntou ali um grande número de gente do PSD que não se revê no socialismo do Rio. O Aliança é, no fundo, o novo PSD.
eduardextreme Escreveu:
CFC Escreveu:
08 Set 2019, 12:23
vá, o PCP e o CDS são uns inúteis, mas enfim
Não totalmente. Há sempre algumas coisas boas que vão puxando para a agenda e conseguindo fazer passar. Como os manuais escolares gratuitos no caso do PCP.
Nada que o BE não faça, no caso do PCP. Já no caso do CDS, não me lembro de uma única coisa boa que eles defendam e que partidos como o IL, o Aliança ou o PSD não defendam também. No entanto, a génese cristã e conservadora do partido fá-los defender muita idiotice.

Re: Ah, e tal...

09 Set 2019, 14:52 [#7808]
Padrão Escreveu:
09 Set 2019, 11:56
Já disse aqui: não há direita em Portugal. Um partido Social-Democrata é de esquerda.
Porque está na constituição. É dos poucos países do mundo em que o socialismo está definido como lei fundamental.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.
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Re: Ah, e tal...

09 Set 2019, 21:57 [#7809]
eduardextreme Escreveu:
09 Set 2019, 14:52
Padrão Escreveu:
09 Set 2019, 11:56
Já disse aqui: não há direita em Portugal. Um partido Social-Democrata é de esquerda.
Porque está na constituição. É dos poucos países do mundo em que o socialismo está definido como lei fundamental.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.
Ora aqui está algo que eu não sabia. Sou contra :D

Re: Ah, e tal...

11 Set 2019, 18:43 [#7810]
https://www.facebook.com/iniciativalibe ... 9935248051 - Mais duas medidas económicas excelentes da IL. Salário mínimo definido a nível municipal e não a nível nacional, e isenção de imposto em todas as horas acima das 35 semanais. Com a taxa única de IRS, são 3 medidas altamente progressistas, estou para ver o nível de aceitação.

1. No caso da taxa única, em vez de taxar imenso os salários mais altos (que na realidade nem são assim tão altos), todos descontam a mesma percentagem. 650€ são livres de impostos para todos, tudo o que seja mais que isso é descontado a 15%. Assim, quanto mais se ganha, mais se desconta, o que é justo, mas não há descontos na ordem dos 40%/50% para algumas pessoas. Esta medida foi muito criticada porque "ah e tal, os ricos assim vão descontar muito menos". Pois, só que muitos mais são os não tão ricos que descontam imenso. Ainda assim, acho que o modelo mais certo é o Irlandês (salvo erro), em que há duas taxas - 15% e 25%.

2. Salário mínimo municipal - um SM em Lisboa não dá para sobreviver, mas um noutras zonas dá até para poupar, como é óbvio. Por isso, faz todo o sentido que haja separação.

3. Isenção de imposto em todas as horas acima das 35 semanais - se há coisa injusta em Portugal é haver leis diferentes para funcionários públicos e privados. Por isso, é justo que os privados não paguem impostos nas pelo menos 5h por semana que são obrigados a trabalhar a mais que os públicos.

Pronto, foram os meus 5 cêntimos de propaganda política

Re: Ah, e tal...

11 Set 2019, 22:28 [#7811]
1.
Já cheira a americano... e não gosto.
Os impostos fazem sentido serem progressivos, pois o que fica depois das despesas normais é muito superior.
Embora eu gosto do sistema pela simplicidade e por não criar zonas em que mais vale ganhar ligeiramente menos.

Criar mais patamares, como no sistema holandês faz mais sentido. Eles têm 4 patamares (9% até aos 20K, 10.45% dos 20K aos 34K, 38.10% dos 34K aos 68K e 51.75 em tudo acima dos 68K), mas os valores são estranhos e são absurdos quando se vê que não incluem a SS, que é 27.65% para os primeiros 34K.

Acho que no mínimo devia haver 3 patamares.
Um patamar de não taxar ou de taxa muito baixa para proteger os baixos rendimentos.
Um patamar intermédio, que pode ser os tais 15%, para proteger os rendimentos medianos.
Um patamar alto, que podia ser os 50%, para valores em que uma pessoa já não tem problemas financeiros. Por exemplo acima dos 100.000€.

2.
E o que se ganha com salários mínimos diferentes?
É para meterem salários mais baixos no interior e continuar sem gente?
É para meterem salários mais altos na cidade para aumentar o preço das casas?
Para mim é uma iniciativa parva.
Mas se calhar, a única forma de puxar gente para o interior é "federalizar o país" e dar mais poderes às regiões do interior para incentivar pessoas a lá trabalhar. Com impostos baixos, com incentivos à abertura de negócios e construção, etc. Mas nunca na vida o estado português abdicaria do controlo que tem nesses tópicos.

3.
Não são leis diferentes. São contratos diferentes.
A diferença de horas já é do tempo do Guterres acho, da altura em que em vez de aumentar os funcionários públicos, reduziu o horário de trabalho para aumentar o salário por hora.
Acho curioso isto ser sempre alvo de discussão, porque não acho que haja beneficiados em qualquer um dos lados. A esmagadora maioria dos funcionários públicos tem as suas carreiras congeladas há uma porrada de anos e por isso têm menos poder de compra que há 10 ou 15 anos. Há imensos serviços em sobrecarga porque nada ou pouco se contrata, mesmo que tenham mais trabalho.
O número de horas de trabalho semanais é a compensação, para além de benefícios como a ADSE ou ser quase impossível ser despedido (mesmo sendo incrivelmente incompetente ou até mesmo prejudicial).

Sou a favor de diminuir o número de horas semanais de 40 para 35, mas isso não é o que a IL propõe, é o que o PCP e o BE propõem.

Quanto ao não pagar imposto sobre horas extraordinárias (ou acima dos 35 caso não desçam dos 40), acho que faz sentido visto que o trabalhador não tem escolha. Pelo menos que seja pago por todo.
Imagem

Re: Ah, e tal...

12 Set 2019, 23:08 [#7812]
eduardextreme Escreveu:
11 Set 2019, 22:28
1.
Já cheira a americano... e não gosto.
Os impostos fazem sentido serem progressivos, pois o que fica depois das despesas normais é muito superior.
Embora eu gosto do sistema pela simplicidade e por não criar zonas em que mais vale ganhar ligeiramente menos.

Criar mais patamares, como no sistema holandês faz mais sentido. Eles têm 4 patamares (9% até aos 20K, 10.45% dos 20K aos 34K, 38.10% dos 34K aos 68K e 51.75 em tudo acima dos 68K), mas os valores são estranhos e são absurdos quando se vê que não incluem a SS, que é 27.65% para os primeiros 34K.

Acho que no mínimo devia haver 3 patamares.
Um patamar de não taxar ou de taxa muito baixa para proteger os baixos rendimentos.
Um patamar intermédio, que pode ser os tais 15%, para proteger os rendimentos medianos.
Um patamar alto, que podia ser os 50%, para valores em que uma pessoa já não tem problemas financeiros. Por exemplo acima dos 100.000€.
Poderás ter o mesmo problema: sobretaxando as pessoas que ganham bem, elas terão tendência a ir embora descontar noutro lado. Embora, claro, os 100k€ que falas sejam um valor elevado, interessa ao país que os ricos descontem em Portugal, e isto inclui empresários de empresas bem sucedidas (que no fundo é o objetivo do partido, fomentar a iniciativa privada).
Anyway, basicamente estás a concordar comigo: 3 patamares é o mais aceitável. A IL propõe taxa única mas na prática são 2, 0% para salários abaixo dos 650€ e 15% nos restantes. Eu, como disse, sou apologista do sistema irlandês.
eduardextreme Escreveu:
11 Set 2019, 22:28
2.
E o que se ganha com salários mínimos diferentes?
É para meterem salários mais baixos no interior e continuar sem gente?
É para meterem salários mais altos na cidade para aumentar o preço das casas?
Para mim é uma iniciativa parva.
Mas se calhar, a única forma de puxar gente para o interior é "federalizar o país" e dar mais poderes às regiões do interior para incentivar pessoas a lá trabalhar. Com impostos baixos, com incentivos à abertura de negócios e construção, etc. Mas nunca na vida o estado português abdicaria do controlo que tem nesses tópicos.
Isso dos salários mais altos ou mais baixos é uma falácia. Ganhar 800€ em Lisboa ou no Porto é o equivalente a ganhar metade noutras zonas, e nem precisam de ser zonas rurais. Mais, esse salário, em Lisboa, mal dá para sobreviver vivendo sozinho, quanto mais se formos a falar nos 600€ de salário mínimo.

Ora, vamos ser práticos. Portugal, neste momento, não tem condições para aumentar o salário mínimo a nível nacional. No entanto, se o autorizares a nível municipal, nos municípios onde tal tem que ser feito, tal será feito. Por isso, sem comprometer demasiado as contas públicas, aumentas o salário mínimo onde é obrigatório aumentar e mantens onde não é preciso fazê-lo. Já agora, "salários mais altos na cidade para aumentar o preço das casas" é também falacioso, porque o que realmente fez disparar os preços das casas foi o turismo. Ora, se equiparares o poder de compra dos portugueses ao dos estrangeiros ricos que para cá vêm, nem que seja parcialmente, vais parcialmente combate o problema, porque o poder de compra dos estrangeiros manter-se-á constante (não sei se me estou a fazer entender).

Btw, já existem incentivos fiscais para empresas que se fixem no interior, salvo erro. Não me perguntes como funciona, mas existe. E não acho mal, sinceramente.
eduardextreme Escreveu:
11 Set 2019, 22:28
3.
Não são leis diferentes. São contratos diferentes.
A diferença de horas já é do tempo do Guterres acho, da altura em que em vez de aumentar os funcionários públicos, reduziu o horário de trabalho para aumentar o salário por hora.
Acho curioso isto ser sempre alvo de discussão, porque não acho que haja beneficiados em qualquer um dos lados. A esmagadora maioria dos funcionários públicos tem as suas carreiras congeladas há uma porrada de anos e por isso têm menos poder de compra que há 10 ou 15 anos. Há imensos serviços em sobrecarga porque nada ou pouco se contrata, mesmo que tenham mais trabalho.
O número de horas de trabalho semanais é a compensação, para além de benefícios como a ADSE ou ser quase impossível ser despedido (mesmo sendo incrivelmente incompetente ou até mesmo prejudicial).

Sou a favor de diminuir o número de horas semanais de 40 para 35, mas isso não é o que a IL propõe, é o que o PCP e o BE propõem.

Quanto ao não pagar imposto sobre horas extraordinárias (ou acima dos 35 caso não desçam dos 40), acho que faz sentido visto que o trabalhador não tem escolha. Pelo menos que seja pago por todo.
Aquilo que falas como sendo benefícios na verdade é mais que isso, são enormes regalias. Um funcionário público ser intocável é muito mau, porque o funcionário mau será mau para sempre e o funcionário bom terá tendência a tornar-se mau porque vê o mau a ganhar o mesmo. Tudo está errado quando há progressões automáticas e não progressões com base em mérito. Mas enfim, os problemas que enuncias para os funcionários públicos são os problemas que milhões nos privados sofrem. Só que os privados, se receberem o salário mínimo sem qualquer regalia das que falas, não se queixam porque os patrões os podem despedir.

Isto pode soar contraditório porque eu defendo a iniciativa privada, mas não o é, porque vai de encontro com a minha maneira de ver a função do estado. O estado tem de criar condições para a iniciativa privada crescer de tal forma que depois possa ser obrigado a dar boas condições para os trabalhadores. Por outras palavras, se o estado aumentasse agora o salário mínimo em 200€ (valor aleatório), muitas empresas fechariam ou teriam que despedir gente porque não teriam condições para aumentar os salários. No entanto, se o estado criar um clima económico favorável e acima de tudo amigo das empresas (em termos fiscais e não só), pode depois de algum tempo aumentar o salário mínimo em 200€ sem problemas, porque certamente todas as empresas podem pagar mais 200€ aos trabalhadores (sim, empresas amigas dos seus trabalhadores podem aumentar os mesmos sem qualquer lei, mas um governo não pode esperar o ovo no cu da galinha).

PS: Também sou apologista da redução das 40h para as 35h no privado, em nome da qualidade de vida das pessoas. No entanto, não sei quais seriam as implicações nas empresas, o que é algo que pode influenciar a minha opinião.

Re: Ah, e tal...

13 Set 2019, 12:12 [#7813]
CFC Escreveu:
12 Set 2019, 23:08
Poderás ter o mesmo problema: sobretaxando as pessoas que ganham bem, elas terão tendência a ir embora descontar noutro lado. Embora, claro, os 100k€ que falas sejam um valor elevado, interessa ao país que os ricos descontem em Portugal, e isto inclui empresários de empresas bem sucedidas (que no fundo é o objetivo do partido, fomentar a iniciativa privada).
O valor vai dar ao mesmo.
E mesmo que se aumentasse a taxa, então que se vão embora. Trickle-down economics é um mito.
Os incentivos devem estar na criação de empresas e na contratação de pessoas, e não no imposto sobre rendimentos.

CFC Escreveu:
12 Set 2019, 23:08
Ora, vamos ser práticos. Portugal, neste momento, não tem condições para aumentar o salário mínimo a nível nacional. No entanto, se o autorizares a nível municipal, nos municípios onde tal tem que ser feito, tal será feito. Por isso, sem comprometer demasiado as contas públicas, aumentas o salário mínimo onde é obrigatório aumentar e mantens onde não é preciso fazê-lo.
Acho que não percebeste a medida da IL então, ou então fui eu.
Eles estão a sugerir o salário mínimo ser decidido pelos municípios e não pelo governo. É uma medida para tentar que os municípios consigam ser competitivos uns com os outros e atrair pessoas.

Se for para ajustar o salário mínimo às condições de vida:
Se Lisboa e Porto aumentarem o salário mínimo, vão atrair ou no mínimo manter as pessoas que têm.
Se municípios pequenos diminuírem o salário mínimo, vão afastar as poucas pessoas que têm.

Se for para ser competitivo:
Os salários mínimos teriam de aumentar em relação às grandes cidades, mas isso poderia muito bem ser um desincentivo às empresas.

Não faz sentido.
CFC Escreveu:
12 Set 2019, 23:08
Já agora, "salários mais altos na cidade para aumentar o preço das casas" é também falacioso, porque o que realmente fez disparar os preços das casas foi o turismo. Ora, se equiparares o poder de compra dos portugueses ao dos estrangeiros ricos que para cá vêm, nem que seja parcialmente, vais parcialmente combate o problema, porque o poder de compra dos estrangeiros manter-se-á constante (não sei se me estou a fazer entender).
Foram principalmente duas coisas que fizeram disparar o preços das casas: o turismo e a crise da construção. A bolha do imobiliário destruiu empresas de construção e estagnou a construção de novas casas. Ainda hoje o sector da construção não consegue construir ao ritmo que Porto e Lisboa pedem. E por isso o problema agrava-se ainda mais.

Ao aumentar uma pessoa, ela tem maior disponibilidade para alugar/comprar casa, por isso a competição aumenta e os preços aumentam, principalmente das habitações mais baratas. Isso é básico, mesmo não sendo a causa dos preços actuais, iria aumentar os preços sem dúvida.

CFC Escreveu:Aquilo que falas como sendo benefícios na verdade é mais que isso, são enormes regalias. Um funcionário público ser intocável é muito mau, porque o funcionário mau será mau para sempre e o funcionário bom terá tendência a tornar-se mau porque vê o mau a ganhar o mesmo. Tudo está errado quando há progressões automáticas e não progressões com base em mérito. Mas enfim, os problemas que enuncias para os funcionários públicos são os problemas que milhões nos privados sofrem. Só que os privados, se receberem o salário mínimo sem qualquer regalia das que falas, não se queixam porque os patrões os podem despedir.
Concordo completamente.
Mas no privado também não há despedimentos. O que há é contratos a termo, períodos experimentais e claro, o empregador fazer a vida negra para o mandar embora.
Eu sou da opinião que os despedimentos deviam ser possíveis com indemnização (Ex.: Aviso prévio igual ao do trabalhador, com 1 mês de indemnização por cada ano de trabalho, com o mínimo de 2/3 indemnizações), mas se calhar é polémico.
Imagem

Re: Ah, e tal...

13 Set 2019, 15:15 [#7814]
eduardextreme Escreveu:
13 Set 2019, 12:12
CFC Escreveu:
12 Set 2019, 23:08
Ora, vamos ser práticos. Portugal, neste momento, não tem condições para aumentar o salário mínimo a nível nacional. No entanto, se o autorizares a nível municipal, nos municípios onde tal tem que ser feito, tal será feito. Por isso, sem comprometer demasiado as contas públicas, aumentas o salário mínimo onde é obrigatório aumentar e mantens onde não é preciso fazê-lo.
Acho que não percebeste a medida da IL então, ou então fui eu.
Eles estão a sugerir o salário mínimo ser decidido pelos municípios e não pelo governo. É uma medida para tentar que os municípios consigam ser competitivos uns com os outros e atrair pessoas.

Se for para ajustar o salário mínimo às condições de vida:
Se Lisboa e Porto aumentarem o salário mínimo, vão atrair ou no mínimo manter as pessoas que têm.
Se municípios pequenos diminuírem o salário mínimo, vão afastar as poucas pessoas que têm.

Se for para ser competitivo:
Os salários mínimos teriam de aumentar em relação às grandes cidades, mas isso poderia muito bem ser um desincentivo às empresas.

Não faz sentido.
Não vai haver municípios a reduzir salários mínimos simplesmente porque não podem. Haverá um mínimo nacional, pelo que percebi (se eu percebi mal, toda a minha opinião não faz sentido). Logo, os salários das pessoas só poderão aumentar. Se houver municípios do interior a subir muito o salário e a conseguir atrair pessoas, ainda melhor, porque se combate a descentralização.
Já agora, se Lisboa e Porto aumentarem o salário mínimo, vão estar a dar condições mínimas às pessoas. Se neste momento os salários destas cidades são em si um combate à descentralização, são uma má ferramenta, dado que, como disse, as pessoas mal vivem, sobrevivem.

eduardextreme Escreveu:
13 Set 2019, 12:12
CFC Escreveu:
12 Set 2019, 23:08
Já agora, "salários mais altos na cidade para aumentar o preço das casas" é também falacioso, porque o que realmente fez disparar os preços das casas foi o turismo. Ora, se equiparares o poder de compra dos portugueses ao dos estrangeiros ricos que para cá vêm, nem que seja parcialmente, vais parcialmente combate o problema, porque o poder de compra dos estrangeiros manter-se-á constante (não sei se me estou a fazer entender).
Foram principalmente duas coisas que fizeram disparar o preços das casas: o turismo e a crise da construção. A bolha do imobiliário destruiu empresas de construção e estagnou a construção de novas casas. Ainda hoje o sector da construção não consegue construir ao ritmo que Porto e Lisboa pedem. E por isso o problema agrava-se ainda mais.

Ao aumentar uma pessoa, ela tem maior disponibilidade para alugar/comprar casa, por isso a competição aumenta e os preços aumentam, principalmente das habitações mais baratas. Isso é básico, mesmo não sendo a causa dos preços actuais, iria aumentar os preços sem dúvida.
Bom ponto de vista. Não acho que estou errado, mas também acho que estás correto.
eduardextreme Escreveu:
13 Set 2019, 12:12
CFC Escreveu:Aquilo que falas como sendo benefícios na verdade é mais que isso, são enormes regalias. Um funcionário público ser intocável é muito mau, porque o funcionário mau será mau para sempre e o funcionário bom terá tendência a tornar-se mau porque vê o mau a ganhar o mesmo. Tudo está errado quando há progressões automáticas e não progressões com base em mérito. Mas enfim, os problemas que enuncias para os funcionários públicos são os problemas que milhões nos privados sofrem. Só que os privados, se receberem o salário mínimo sem qualquer regalia das que falas, não se queixam porque os patrões os podem despedir.
Concordo completamente.
Mas no privado também não há despedimentos. O que há é contratos a termo, períodos experimentais e claro, o empregador fazer a vida negra para o mandar embora.
Eu sou da opinião que os despedimentos deviam ser possíveis com indemnização (Ex.: Aviso prévio igual ao do trabalhador, com 1 mês de indemnização por cada ano de trabalho, com o mínimo de 2/3 indemnizações), mas se calhar é polémico.
Não tenho uma opinião muito bem formulada sobre flexibilidade laboral, confesso. Por um lado, acho importantíssimo que a haja. Por outro e infelizmente é cultural, o tuga depois abusa nos estágios e nos empregos de curta duração. Ainda não consegui formular uma opinião. No entanto, o que acontece no público não é exemplo.

Re: Ah, e tal...

13 Set 2019, 15:26 [#7815]
Eu gosto do conceito da IL. Acho que são um bom partido para discutir ideias para o futuro do país.
Mesmo que não concorde com várias medidas, acho que contribuem para a discussão e gostava que entrassem no parlamento.
Se forem um partido que contribui para discutir política e não casos, serei sempre a favor.
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Re: Ah, e tal...

13 Set 2019, 15:46 [#7816]
eduardextreme Escreveu:
13 Set 2019, 15:26
Eu gosto do conceito da IL. Acho que são um bom partido para discutir ideias para o futuro do país.
Mesmo que não concorde com várias medidas, acho que contribuem para a discussão e gostava que entrassem no parlamento.
Se forem um partido que contribui para discutir política e não casos, serei sempre a favor.
É a minha opinião sobre o LIVRE
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