Lyoncorner disse em 30-05-2011 às 00h10 no blog Semanada do Record Online
Pronto! Admito! Cometi um crime de lesa futebol.
Na verdade, não entendo toda esta submissão, todo este frenesim em volta de uma equipa que apresenta uma plástica bonita, mas que não entusiasma. Se futebol é paixão, este Barcelona não joga futebol, porque não excita, não provoca paixões.
Quando oiço dizer que esta é a melhor equipa de sempre, só o concebo em quem nunca viu o Ajax de Stuy, Surbier, Hulshof, Blackenburg, Krol, Haan, Neeskens, Muhren, Swart e Cruift, ou o Bayern de Sepp Maier, Vogts, Beckenbauer, Scwartznbeck, Breitner, Netzer, Hoeness, Uwe Seeler e Gerd Muller.
Ou o Real e o Benfica dos anos 60.
A comparação é, no mínimo, ofensiva.
Um futebol de passe e repasse, em busca de uma nesga, de um erro, com muita posse de bola, com muito entertenimento no meio campo, mas pouco assalto à baliza adversária.
As ideias base de ambas as equipas são idênticas, com uma única diferença: o Porto tem dois jogadores que furam, que atacam o opositor, que partem para cima dele até chegar à baliza adversária, onde é permitido fintar, coisa impossível no Barcelona, onde a excepção se chama Messi.
Aplicação de um princípio básico dos desportos com bola: a bola passa-se ao companheiro que está mais perto.
Não se vê um passe longo, os chamados passes de risco. Não há risco. E se não há risco, não há excitação, não há paixão.
Em ambos vemos uma defesa alta, com a primeira zona de pressão a efectuar-se à saída da área adversária, feita sempre por vários jogadores que atacam o jogador disponível para receber o passe, obrigando o adversário a chutar a bola sem critério.
Como derrotar equipas assim? O segredo está na capacidade de também efectuar pressão alta, subir linhas e jogar entre elas, obrigando o adversário a correr (e como o Barcelona se sente desconfortável quando é preciso correr).
As zonas laterais a uma linha imaginária de prolongamento do limite perpendicular à área de baliza (zona dos médios ala, Xavi e Iniesta) são as mais frágeis, permitindo incursóes e a libertação dos extremos ou do ponta de lança, zona mais débil do Barcelona.
Se observarem bem, este Barcelona cansa-se muito pouco, pois joga a passo, fazendo correr a bola, em regra no sentido horizontal, de extremo a extremo, com um ou outro passe de ruptura para as zonas laterais da área, onde os extremos entram vindo das alas, ou para o ponta de lança, mas raramente para a zona de penalty, obrigando os centrais a deslocarem-se e libertando a zona frontal para a entrada ou o remate dos médios.
Se querem saber como parar o Barcelona peçam a Paulo Bento que ele explica como parou o irmão gémeo do Barcelona, a Espanha. E não só parou como goleou.
Dia 26 vou ver o jogo porque está em acção uma equipa potuguesa. De resto, não vejo um jogo do Barcelona. Não me seduz.
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