Re: Originais

11 Jul 2012, 00:42 [#41]
Peço imensa desculpa por ter-me esquecido de postar isto para ti, Kakerlakk:

Começando pelo teu poema Um dia na vida... a vida num dia, devo dizer que gostei bastante. Há, porém, uma coisa mínima que eu corrigiria. Obviamente que não tens que seguir o meu conselho. Apenas acho que ficaria mais bonito assim.
A alteração é a seguinte:

Em "Nasci ontem, eram seis da madrugada.", alteraria para "Nasci ontem; eram seis da madrugada." ou, em alternativa, "Nasci ontem... eram seis da madrugada.".

Desta forma, consegue-se exaltar ainda mais a emoção deste início de poema. Penso que a vírgula não serve suficientemente como pausa, uma vez que estás a falar uma ideia mais geral, e depois a aprofundá-la. Mas deixo ao teu critério, é claro. Especialmente quando o poema já se encontra finalizado.
Julgo que o poema é muito nostálgico, romântico e, no entanto, realista.

Bem, não sei o que hei-de dizer mais... XD Acho que ainda estive para fazer uma crítica de um outro poema que fizeste, mas ainda não pensei nela. Pode ser que a consiga postar em breve. :)

Ah, e acho que não perdias nada em publicar a tua poesia. Pode ser que tenhas sorte e ganhes algum dinheiro. :)

Re: Originais

11 Jul 2012, 13:39 [#42]
Kakerlakk Escreveu:Ontem à noite, como em muitas outras noites, deitei-me com o meu filho para o ajudar a adormecer.
"Um minuto, pai, só um minuto! 'Tá bem?"
E eu fiquei, claro. Mas bem mais do que o tal minuto que ele me pede quase sempre.
Ao adormecê-lo, abraçado a ele, incomodei-o com a minha respiração, sem querer, para dentro de um ouvido.
"Não respires, pai!"
E eu, brincando,
"Filho, mas se o pai não respirar, o pai morre..."
Momento de silêncio.
"Tu morres...?"
"Morro."
Momento de silêncio, ele com a sua chucha na boca e eu abraçado a ele.
"Eu não quero que tu morras, pai."
E eu, eterno,
"O pai não morre, querido."

21 de Novembro de 2011
Ao ler este poema só me ocorre uma palavra: Ternura. Os meus parabéns, Kakerlakk. Tal como o scpyrus, acho que podias começar a publicar os teus textos. E porque não um livro, tal como já se falou? Anseio por ler um poema mais recente, de 2012 para a frente.

Re: Originais

11 Jul 2012, 14:17 [#43]
Não consigo comentar a junção de palavras ditas em forma de versos pela alma de um poeta...resta-me apreciar a sua obra tentando abraçar o sentimento nas palavras, e com isso me toque no meu eu mais fundo ;)

Muito bom gosto destes originais :clap:
Legendary Striker... is back again 8)

Re: Originais

11 Jul 2012, 14:22 [#44]
Kakerlakk Escreveu:Ontem à noite, como em muitas outras noites, deitei-me com o meu filho para o ajudar a adormecer.
"Um minuto, pai, só um minuto! 'Tá bem?"
E eu fiquei, claro. Mas bem mais do que o tal minuto que ele me pede quase sempre.
Ao adormecê-lo, abraçado a ele, incomodei-o com a minha respiração, sem querer, para dentro de um ouvido.
"Não respires, pai!"
E eu, brincando,
"Filho, mas se o pai não respirar, o pai morre..."
Momento de silêncio.
"Tu morres...?"
"Morro."
Momento de silêncio, ele com a sua chucha na boca e eu abraçado a ele.
"Eu não quero que tu morras, pai."
E eu, eterno,
"O pai não morre, querido."

21 de Novembro de 2011
Peço muita desulpa só por ver agora, mas tens um jeito fenomenal com as palavras, muitos parabéns e digo o mesmo que o RSantos, podias muito bem pensar num livro ;)
Este poema toca muito no coração, muito obrigado...
Imagem

Re: Originais

11 Jul 2012, 14:27 [#45]
Kakerlakk Escreveu:Ontem à noite, como em muitas outras noites, deitei-me com o meu filho para o ajudar a adormecer.
"Um minuto, pai, só um minuto! 'Tá bem?"
E eu fiquei, claro. Mas bem mais do que o tal minuto que ele me pede quase sempre.
Ao adormecê-lo, abraçado a ele, incomodei-o com a minha respiração, sem querer, para dentro de um ouvido.
"Não respires, pai!"
E eu, brincando,
"Filho, mas se o pai não respirar, o pai morre..."
Momento de silêncio.
"Tu morres...?"
"Morro."
Momento de silêncio, ele com a sua chucha na boca e eu abraçado a ele.
"Eu não quero que tu morras, pai."
E eu, eterno,
"O pai não morre, querido."


21 de Novembro de 2011
Em poucas palavras: Amor, carinho e responsabilidade.
Fenomenal, Carlos. Parabéns!

Re: Originais

11 Jul 2012, 20:10 [#46]
scpyrus Escreveu:Peço imensa desculpa por ter-me esquecido de postar isto para ti, Kakerlakk:

Começando pelo teu poema Um dia na vida... a vida num dia, devo dizer que gostei bastante. Há, porém, uma coisa mínima que eu corrigiria. Obviamente que não tens que seguir o meu conselho. Apenas acho que ficaria mais bonito assim.
A alteração é a seguinte:

Em "Nasci ontem, eram seis da madrugada.", alteraria para "Nasci ontem; eram seis da madrugada." ou, em alternativa, "Nasci ontem... eram seis da madrugada.".

Desta forma, consegue-se exaltar ainda mais a emoção deste início de poema. Penso que a vírgula não serve suficientemente como pausa, uma vez que estás a falar uma ideia mais geral, e depois a aprofundá-la. Mas deixo ao teu critério, é claro. Especialmente quando o poema já se encontra finalizado.
Julgo que o poema é muito nostálgico, romântico e, no entanto, realista.

Bem, não sei o que hei-de dizer mais... XD Acho que ainda estive para fazer uma crítica de um outro poema que fizeste, mas ainda não pensei nela. Pode ser que a consiga postar em breve. :)

Ah, e acho que não perdias nada em publicar a tua poesia. Pode ser que tenhas sorte e ganhes algum dinheiro. :)
Antes de mais, muito obrigado pelas tuas palavras, scpyrus! :)

Vamos lá ver se arrisco a publicação de qualquer coisa um dia destes... ;)

Quanto à tua sugestão, concordo com o que propões e acho perfeitamente viável a alteração do poema que, apesar de estar finalizado, nunca foi publicado. Uma curiosidade acerca dele é que ganhou o 1º lugar, na categoria de Poesia, num concurso de escolas profissionais, a nível nacional. Fui receber o prémio a Aveiro e tudo... :)

Não hesites em ir postando as tuas críticas/opiniões sempre que sentires que o deves fazer! :)
RSantos Escreveu:
Kakerlakk Escreveu:
Spoiler
Ontem à noite, como em muitas outras noites, deitei-me com o meu filho para o ajudar a adormecer.
"Um minuto, pai, só um minuto! 'Tá bem?"
E eu fiquei, claro. Mas bem mais do que o tal minuto que ele me pede quase sempre.
Ao adormecê-lo, abraçado a ele, incomodei-o com a minha respiração, sem querer, para dentro de um ouvido.
"Não respires, pai!"
E eu, brincando,
"Filho, mas se o pai não respirar, o pai morre..."
Momento de silêncio.
"Tu morres...?"
"Morro."
Momento de silêncio, ele com a sua chucha na boca e eu abraçado a ele.
"Eu não quero que tu morras, pai."
E eu, eterno,
"O pai não morre, querido."

21 de Novembro de 2011
Ao ler este poema só me ocorre uma palavra: Ternura. Os meus parabéns, Kakerlakk. Tal como o scpyrus, acho que podias começar a publicar os teus textos. E porque não um livro, tal como já se falou? Anseio por ler um poema mais recente, de 2012 para a frente.
Muito obrigado a ti também pelas tuas palavras, RSantos! :)

Tal como disse ao scpyrus, vamos lá ver se um dia destes se faz qualquer coisa com estes poemas e textos. A publicação deles é um projecto já antigo, que tem vindo a ser constantemente adiado por este ou por aquele motivo, infelizmente. Nada está posto de lado! ;)

Relativamente a coisas mais recentes, ultimamente tenho sentido vontade de voltar a escrever e a compor música também, por isso pode estar para breve um texto com cheirinho a mais novo. :)

Parece que este "desenterranço", que inicialmente visava mesmo só dar-vos a conhecer aquilo que estava há tanto tempo guardado, acabou por ter um efeito positivo na minha própria predisposição para isto... ;)
Flexi Escreveu:Não consigo comentar a junção de palavras ditas em forma de versos pela alma de um poeta...resta-me apreciar a sua obra tentando abraçar o sentimento nas palavras, e com isso me toque no meu eu mais fundo ;)

Muito bom gosto destes originais :clap:
Bonitas palavras, Flexi! Muito obrigado! :)

Também é essa a minha forma de ler poesia. Sempre foi a que mais sentido fez em mim... ;)
propes36 Escreveu:
Kakerlakk Escreveu:
Spoiler
Ontem à noite, como em muitas outras noites, deitei-me com o meu filho para o ajudar a adormecer.
"Um minuto, pai, só um minuto! 'Tá bem?"
E eu fiquei, claro. Mas bem mais do que o tal minuto que ele me pede quase sempre.
Ao adormecê-lo, abraçado a ele, incomodei-o com a minha respiração, sem querer, para dentro de um ouvido.
"Não respires, pai!"
E eu, brincando,
"Filho, mas se o pai não respirar, o pai morre..."
Momento de silêncio.
"Tu morres...?"
"Morro."
Momento de silêncio, ele com a sua chucha na boca e eu abraçado a ele.
"Eu não quero que tu morras, pai."
E eu, eterno,
"O pai não morre, querido."

21 de Novembro de 2011
Peço muita desulpa só por ver agora, mas tens um jeito fenomenal com as palavras, muitos parabéns e digo o mesmo que o RSantos, podias muito bem pensar num livro ;)
Este poema toca muito no coração, muito obrigado...
Não tens que pedir desculpa por nada, propes! Fico muito contente por teres gostado do que leste e agradeço as tuas palavras! :)

Em relação a um livro, como já disse mais acima, quem sabe? ;)
Quack Escreveu:
Kakerlakk Escreveu:
Spoiler
Ontem à noite, como em muitas outras noites, deitei-me com o meu filho para o ajudar a adormecer.
"Um minuto, pai, só um minuto! 'Tá bem?"
E eu fiquei, claro. Mas bem mais do que o tal minuto que ele me pede quase sempre.
Ao adormecê-lo, abraçado a ele, incomodei-o com a minha respiração, sem querer, para dentro de um ouvido.
"Não respires, pai!"
E eu, brincando,
"Filho, mas se o pai não respirar, o pai morre..."
Momento de silêncio.
"Tu morres...?"
"Morro."
Momento de silêncio, ele com a sua chucha na boca e eu abraçado a ele.
"Eu não quero que tu morras, pai."
E eu, eterno,
"O pai não morre, querido."


21 de Novembro de 2011
Em poucas palavras: Amor, carinho e responsabilidade.
Fenomenal, Carlos. Parabéns!
Muito obrigado, Quack! :)

Só faltava "eternidade"... ;)

Re: Originais

19 Jul 2012, 11:55 [#47]
Uma cama num quartinho.
A cidade na janela.
Tanto frio... tanta gente...
tu não estás. Já não estás.
Não me querias? Não faz mal,
porque vejo-te daqui
enjaulada no teu mundo.
Olho-te por entre as grades.
Não me olhas.

E chegam-me à memória
outros tempos.
Ouço-te dizer que és minha.
Abraço as tuas palavras
e o teu corpo.
E sou teu.
Somos erro e verdade.
Somos ego e vaidade.

Como tudo passa tão depressa!...
Tu mentiste-me
e eu não.
Nem a ti,
nem a mim.
Mas querias que mudasse
e aparecesse,
sem que te aborrecesse
quem eu sou.

Então perdoa-me...

porque surjo sem fingir,
e não surjo,
apenas por não querer
ou, talvez, por não saber
mentir.

Bremen, 14 de Abril de 2001
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