WWE SMACKDOWN VS RAW 2010 ft. ECW - PS3 - Já à venda
Como toda a boa moda, todas têm o seu momento de glória, mas ninguém ficará mal servido se a usar continuamente. O mesmo se passa com o universo da WWE cá em Portugal, que teve 2, 3 anos de grande popularidade entre, principalmente, a população jovem, e que agora está um pouco "desaparecida".
O mais curioso é que o desempenho do jogo da Yuke's é uma cópia de tudo isto que referi. Começou aos solavancos, em meados de 2005 alcançou a grande glória, mantendo-se até 2007, depois desaparecendo; exactamente no início do fabrico do jogo para as consolas de nova geração. Tentaram inovar, acabaram por perder. WWE 2009 foi o início de uma reviravolta: será que este ano está consumada? Será que este WWE 2010 pode ser uma ajuda mais capaz de fazer regressar os fãs portugueses, algures perdidos?
Primeiramente, há que destacar algumas novidades neste novo jogo.
A primeira é, sem dúvida, extremamente curiosa, que prova que esta moda criada pela Electronic Arts está para ficar: tal como em FIFA ou em NBA Live, podemos "brincar" com o boneco, fazendo fintas, remates, lançamentos e afundanços, tudo isto antes do menu principal, para facilitar o acesso ao mesmo menu de "treino", se é que lhe podemos chamar. Ora, em WWE SMACKDOWN VS RAW 2010, antes do mesmo menu principal, vemos John Cena e Randy Orton num ringue típico de treino, onde podemos controlar o executante do "STFU". Randy não se "faz" a vós, apenas aceita os ataques e levanta-se; porém, tudo isso (inclusive os 'wrestlers') pode ser alterado, consoante queiramos, alcançando o poder total deste novo menu. "Training Facilities", para ser mais expedito.
Ao carregamos no botão 'start', podemos observar tudo o que tem de novo neste jogo, em termos de modos de jogo. O menu "Training Facilities" fica como em "background", dando um aspecto positivo.
Temos então algumas rectificações nos modos de jogo, destaca-se as entradas do estreante Championship Scramble, uma das grandes atracções deste ano; do One on Two First Blood, o Mixed Tag e de mais arenas de Backstage (todas elas levaram pequenos ajustes gráficos). Aumenta assim a grande variedade já existente em versões anteriores de modos de jogo.
Depois, exploramos a "My WWE". Aí, podemos observar uma"pequena grande" alteração na jogabilidade, os "Rivals". É não mais que um informador de rivalidades/amizades entre todos os lutadores do "Roster", com um indicador de fortaleza das mesmas. Por exemplo, a amizade entre Kane e Undertaker é fraquíssima, mas a de uns companheiros de Tag Team quaisquer já será maior cotada. Ou, se preferirem, a rivalidade entre Kozlov e Undertaker é mínima, enquanto já será maior a de Edge e John Cena. Mas que implicações poderão ter estas amizades e rivalidades? Ora, num Batista vs. Edge, John Cena poderá interferir no jogo a certa altura para piorar a situação de Edge. Isto não acontece sempre, mas está programado para acontecer periodicamente, e se preferirem jogar o jogo que estava programado jogarem, podem começar a bater no "superstar" que tenha interferido e ele ficará com medo, abandonando o recinto, para que possam continuar o vosso combate descansados.
Mas, este ano, o destaque do jogo vai para a criação de "superstars". Até na contracapa do jogo isso está claramente especificado. Imaginem, poder criar os vossos logótipos (com uma ferramente de design parecida com, por exemplo, a de PES), colocar esses logos onde quiserem no vosso jogador, criar os seus finishers quer frentre-a-frente quer aéreos (a novidade), e depois partilhar essa vossa criação online...
É mesmo no Online que está o grande espírito da WWE este ano. Para além dos habituais combates contra pessoas de todo o mundo (com um lag de agradável qualidade), o melhor é mesmo a partilha de conteúdo. Simples, rápido e eficaz. No Online, encontramos criações para todos os gostos, desde "superstars" do momento que faltam no plantel deste ano (Zack Ryder, por exemplo), a Lendas da WWE (Hulk Hogan, Andre The Giant), passando por atletas dos rivais TNA (Abyss, AJ Styles, Kurt Angle...), ou simplesmente "habitués" da vida real (Keira Knightley, Michael Myers...), ainda personagens mais...enfim...não muito habituais (Deus, Satanás, Jesus Cristo, Morte...) não esquecendo as invenções pessoais de cada um. É um universo fantástico, a juntar as criações particulares de "Finishers", Highlight Reels (desta vez podem fazer upload destes directamente para o YouTube, levando uns mínimos 5 minutos), Storylines (outra novidade de WWE 2010), e até simples fotografias. Fantástico, não?
Em termos gráficos, não mudou muito desde o ano passado. Notam-se alguns pormenores ainda mais detalhados (adorei ver que cada vez que alguém está a ser dominado pertos das cordas, estas mexem consoante o toque humano, num sistema parecido com o sistema de impacto do GTA IV), mas nada mais que isso. Os "superstars" ainda andam como gorilas, mas isso já não é defeito, é feitio.
Na jogabilidade, existem algumas mudanças. Voltamos a ter 4 variantes de grapples pesados, como há 2 anos atrás. Mas a novidade do ano é, de facto, um pouco gráfica também, mas além de ter impacto visual, tem mais impacto na jogabilidade. O habitual posicionamento das informações, no topo do ecrã, sobre o nome, estado e momentum do jogador, simplesmente desapareceram. Nada no topo do ecrá, resta um indicador em forma de "argola" por baixo do jogador, que apesar de, à partida, dito assim, parecer grosseiro, é incrivelmente simples e encaixa perfeitamente no ambiente de jogo. Ora, como saber o estado dos jogadores, se estão magoados, ou nem por isso? É simples, à medida que os jogadores vão ficando aleijados, essa parte do corpo vai ficando cada vez mais vermelha, isto a aliar às situações habituais em que vemos sangue a escorrer da cabeça, coxeios, e dores de cabeça, entre outros. Isto vai dificultar a missão de saber quando usar os ataques, quando usar o "Pin", quando e como fazer o quê, basicamente. O jogo torna-se assim muito mais difícil, mas mais interessante de ser jogado.
Na vertente áudio, continuam as vozes verdadeiras de todos os intervenientes, com bandas sonoras de grande qualidade, a aliar aos habituais efeitos sonoros competentes e aos comentários com muita informação bem adicionada, como habitual.
O jogo dura bastante, graças ao modo carreira, Road to Wrestlemania, e outros. Isto simplesmente porque é um jogo impossível de finalizar, há sempre jogos a fazer, superstars a criar ou a fazer download.
Gráficos: 8.6 - Por vezes um pouco "glassed", mas muito bons, sempre bastante competentes.
Jogabilidade: 8.7 - Melhor que no ano transacto, mais ataques, com mais sensação de domínio. Menor sensação de repetição de ataques.
Áudio - 9.0 - Tudo muito competente, não se vão arrepender de ligar o volume de TV.
Longevidade - 9.3 - Muito que fazer, fazer upload, download, criar, ganhar títulos, defendê-los, e voltar a fazer tudo de novo porque simplesmente amamos isto.
Pontuação geral: 8.9 - Respondendo à pergunta do início do artigo, sim, este jogo é bom o suficiente para poder trazer os fãs portugueses de volta a amar a WWE. Aliás, basta gostar de um simples jogo de acção para amar mesmo este WWE 2010: até podemos ser cineastas, vejam só! É tal e qual como disse: fazer, desfazer, criar, eliminar, e repetir todo o processo vezes sem conta, porque simplesmente amamos isto. Obrigatório para quem gosta de luta, um bom jogo a ter em conta para aqueles que nunca experimentaram e absolutamente indispensável para quem gosta disto. Há muito a fazer, sejam criativos.