"Richie Porte, que se apresenta este ano ainda muito mais magro que anteriormente"
"Roman Kreuziger. Não é o chefe-de-fila, mas durante o Giro de 2012, em quatro dias (de esforço), conseguiu subir o seu hematócrito de 44,8% para 48,1% e não sobram dúvidas de que consegue colocar-se em forma muito rápido. Até porque o Giro deverá ser a última grande volta antes de sair o veredicto do TAS sobre o seu caso."
Aru "correu apenas o Paris-Nice (39º) e a Volta à Catalunha (6º), falhando a sua participação no Giro del Trentino e na Liège-Bastogne-Liège por um "vírus estomacal". Incluiu a Romandia no seu programa como último teste mas também não pôde participar. Em condições normais, a sua preparação deveria ter sido afetada pela falta de competição, mas "em condições normais" a normalidade escasseia por aqui e a melhor preparação que um ciclista pode ter parece ser fora de competição e de preferência num sítio isolado em que ninguém o incomode nem visite de surpresa, como o Teide, nas Ilhas Canárias, lá no meio do Atlântico. O contrarrelógio também poderia ser uma desvantagem para Aru, mas diz que trabalhou muito nessa área. E quanto um italiano precisa de ser contrarrelogista para disputar o Giro, é. Assim foi também com Pantani e Basso."
"Ilnur Zakarin, o recente vencedor da Volta à Romandia, mais um que apresenta uma magreza cadavérica. Em 2009, com apenas 19 anos (tome nota, caríssimo leitor), foi suspenso por esteroides anabolizantes. Após dois anos de suspensão, regressou, e no ano passado venceu três provas por etapas, tão importantes como a Volta ao Azerbeijão, o GP Adygeya e o GP Sochi... esse era o nível de provas que disputava. Este ano revelou-se na Volta ao País Basco, onde foi nono, e na semana passada venceu a Volta à Romandia, subindo melhor que Quintana, Froome, Nibali, Urán ou Majka, e fazendo um contrarrelógio onde apenas uma problema mecânico e a consequente mudança de bicicleta o impediram de bater Tony Martin.
Atendendo ao seu historial farmacológico e à sua meteórica ascensão ao topo do World Tour, parece-me um forte candidato à vitória em qualquer prova. Tanto pode ser que discuta o Tour ao estilo Evgeni Berzin (de 90º para 1º), como pode ser que a meio da prova o mandem acalmar ou diretamente para casa, estilo Diego Ulissi ou Mauro Santambrogio."
"O último candidato ao pódio que saliento é mesmo Diego Ulissi, que no ano passado venceu uma etapa de média montanha, uma chegada em alto e foi segundo no contrarrelógio, antes de entrar em quebra e de o mandarem para casa por tomar salbutamol suficiente para combater a sua asma, a asma de meia família e duas aldeias da sua toscana. Após nove meses de suspensão, ainda não deu nenhuma demonstração de ser capaz de regressar ao melhor nível, mas há que lhe dar tempo para ver como será este Ulissi pós-suspensão. Pode ser que volte apagado como alguns, ou volte ainda melhor como tantos. Recorde-se que a Lampre abandonou o Movimento por um Ciclismo Credível (MPCC) propositadamente para acolher o regresso de Ulissi, impossível ao abrigo do código do MPCC. Mostra uma elevada expectativa sobre o seu bambino.