Re: [DESPORTO] Futebol Internacional

02 Nov 2018, 14:04 [#7322]
Também vejo assim.
Acho que o prémio é uma boa forma de premiar e dar um empurrão mediático a um jogador jovem que se destacou no último ano.
O Mbappé não só já ganhou esse troféu no último ano, como já rendeu 180 milhões ao Mónaco e é uma estrela do PSG e da selecção. Ultimamente até tem estado a ofuscar o Neymar.
Mas o único critério objectivo que vejo é não poder ganhar o troféu duas vezes. Ainda por cima consecutivas. Como disseste e bem, não dá para seres revelação duas vezes seguidas.
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Re: [DESPORTO] Futebol Internacional

14 Nov 2018, 22:16 [#7324]
Hoje o jornal O Jogo trouxe o que se passou a conhecer do Football Leaks no que toca às maroscas russas que levaram à sua subida no ranking, ultrapassando Portugal.

Matrioska de Putin trama portugueses na UEFA
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A recente divulgação de balanços contabilísticos e troca de documentação entre os principais clubes russos e a UEFA, através do "Football Leaks", deixa uma margem curta para dúvida: Zenit, Lokomotiv e Dínamo deveriam ter sido excluídos, a partir de 2013, das provas da UEFA por clara violação dos regulamentos do fair play financeiro. A generosidade estatal, em patrocínios camuflados, e o argumento do reforço da liga russa nos anos que precediam o Mundial condicionaram o Comité de Controlo Financeiro da UEFA.

Não será especulativo assumir o prejuízo dos clubes portugueses - que este ano perderam um representante na Champions - como um dos efeitos colaterais. Comparando as duas ligas, a russa perde em atratividade: gera menos receitas de bilheteira, de televisão e de venda de jogadores, mas é encharcada pelos fundos das empresas estatais (ler texto ao lado), que lhes permitem ter salários mais altos e maior poder aquisitivo. Ou seja, o tipo de distorção que a UEFA se propunha a extinguir com o fair play financeiro. Pelas contas do "Black Sea", jornal do consórcio de investigação que analisa o "Football Leaks", a dimensão do doping financeiro é colossal, com uma injeção de capital do Estado russo de 1,65 mil milhões nos últimos cinco anos, dando aos locais uma vantagem ilícita que perdura. "Se os clubes russos tiverem de cumprir de imediato com as regras de fair play, terão de vender os seus melhores jogadores e isso irá reduzir a competitividade do futebol russo", argumentava o Zenit em finais de 2013, numa carta dirigida à UEFA, para explicar 113 milhões de euros (M€) injetados pela Gazprom. "Os adeptos poderão começar a trocar o futebol pelo hóquei no gelo a cinco anos do Mundial", ameaçava.

Na verdade, na época seguinte o Zenit não só não vendeu como se reforçou com Javi García, a quem, aliás, o clube ofereceu um salário chorudo anual líquido de 4,5 M€, sob a orientação de André Villas-Boas. Por detrás da arquitetura financeira, a Gazprom - empresa estratégica do Estado russo que adquiriu o clube em 2005 - surge na forma de matrioska, com várias subsidiárias a patrocinar o Zenit, e, por coincidência, é desde 2012/13 um dos oito principais patrocinadores da Champions.

Em junho de 2013, o Zenit admitia um prejuízo de 20 M€, ainda dentro de parâmetros aceitáveis, se caucionado pela proprietária. Porém, as contas mostravam que 101 M€ dos 179 M€ de receitas apresentadas eram inflacionados por patrocinadores. Após análise mais fina, a UEFA percebeu que 80 M€ eram de oito subsidiárias da Gazprom e representavam uma sobrevalorização de contratos, em clara violação das regras. Sem a generosidade da Gazprom, as receitas não iriam além dos 57 M€. O clube defendeu-se, alegando que os contratos previam serviços extra como, entre outros, a presença de jogadores em festas de aniversário, ocasiões sociais e sessões de fotografia... Em março de 2014, e após ajustamentos financeiros, o deficit atingira, ainda assim, os 92 M€ e a UEFA decretou a violação das regras, mas limitou-se a aplicar uma multa de 6 M€, propondo um plano financeiro a monitorizar nos três anos seguintes. O Zenit aceitou prontamente, enquanto o investigador nomeado pela UEFA para acompanhar o caso, Brian Quinn, se demitia.

Os casos dos clubes da capital, Dínamo e Lokomotiv, seguiram a mesma orientação. Ambos apurados para a Liga Europa, submeteram em julho de 2014 os seus resultados financeiros à UEFA. Em vez da Gazprom, o Lokomotiv conta com outra aliada estatal, os Caminhos de Ferro, responsável por 94% dos 200,5 M€ de patrocínios. No caso do Dínamo, é o Banco VTB a entrar com 96% dos 180 M€ registados. Auditorias pedidas pela UEFA concluíram que o contrato dos ferroviários valia menos 100 M€, enquanto o valor correto de um dos contratos da entidade bancária com o Dínamo valia não 90 M€, mas 9 M€. O prejuízo seria estimado em 300 M€ e o Dínamo foi punido com um ano de suspensão.

Já o Lokomotiv surgiu com um novo e miraculoso parceiro, com valores idênticos aos dos Caminhos de Ferro, a Finresurs, que, sabe-se agora, é uma empresa de fachada da ferroviária. O clube foi multado em 1,5 M€, limitado nas contratações e ficou sob monitorização por três anos, mas a UEFA aceitou o "novo" patrocinador. Já este ano, o Rubin Kazan não escapou à suspensão, uma vez provado o apoio ilícito de 60 M€ do município local.

O doping financeiro compensou e foi premiado com um lugar extra na Champions, subtraído à representação lusa. O Zenit foi aos "oitavos" da Champions em 2013/14 e 2015/16 e a igual fase da Liga Europa em 2017/18, tal como o Loko, enquanto o CSKA foi aos "quartos". O Dínamo atingiu os "oitavos" da Liga Europa em 2014/15, tal como o Krasnodar em 2016/17.

Na época em curso, a pontuação portuguesa nas provas europeias é ligeiramente superior à dos conjuntos russos, mas o atraso acumulado nas últimas épocas torna improvável a recuperação nos próximos anos, salvo uma proeza extraordinária das equipas lusas e/ou um colapso russo. Aliás, na temporada passada a Rússia fez, inclusive, mais pontos que França e Alemanha, com duas equipas a chegar aos oitavos e outra aos quartos de final da Liga Europa.

Segundo dados da Deloitte, a receita total dos clubes da I liga portuguesa (366 M€) é pouco mais de metade da encaixada pelos clubes russos (701 M€). Porém, esta diferença tem como única causa os valores exorbitantes dos patrocínios de empresas como a Gazprom (421 M€), que superam, inclusive, os de clubes franceses (345 M€). A faturação com a venda de bilhetes e de direitos televisivos é muito mais expressiva em Portugal.
ZOOM - Rebeldia russa pode ser o fósforo de uma revolução financeira no futebol europeu
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O financiamento indevido a equipas de topo da Rússia - Zenit, Dínamo e Lokomotiv - está a pôr em xeque as regras do fair play financeiro da UEFA. Mas o equilíbrio financeiro do mundo do futebol, à custa da resistência e da rebeldia dos grandes investidores, poderá ser o alvo de uma revolução já em curso. A relação de forças entre a FIFA, a UEFA, as ligas profissionais e os clubes está ao rubro. Fizemos um ligeiro raio-x ao atual contexto.

Se se estabelecesse uma comparação entre os poderes da FIFA e da UEFA com os que conhecemos no mundo, à primeira instituição poderíamos chamar ONU (com mais poderes no futebol que esta no planeta) e União Europeia à segunda (com mais receita e melhor orçamento, à escala, do que as comissões europeias).

A FIFA e a UEFA influenciam legislação (sobre o futebol) à escala mundial e europeia, reservam datas, logística e ativos alheios (jogadores, treinadores e árbitros) em função da valorização das suas competições, extremamente valiosas no contexto económico do setor.

O último Mundial - o seu ciclo de quatro anos - terá rendido à FIFA, em receitas variadas (direitos comerciais, televisão, bilhética, merchandising, etc), cerca de 5,5 mil milhões de euros, conforme noticiou o USA Today, a 05 de junho. Ou seja, o equivalente a 2,6 por cento do Produto Interno Bruto de Portugal (PIB) em 2017 (193 MME).

Por sua vez, e segundo a revista Forbes, noticiado em julho de 2016, a UEFA, no Europeu que Portugal conquistou nesse ano, teve receitas de quase dois mil milhões de euros. É muita pasta...

Para todos os efeitos, e sem cairmos em filosofias aturadas sobre a missão das duas instituições, até hoje, a FIFA, a UEFA e as restantes confederações continentais têm poderes na regulação do futebol profissional e são, ao mesmo tempo, parte interessadíssima na sua rentabilização.

A situação equilibrou-se um pouco quando a indústria passou a ter assento no executivo da UEFA e no seu congresso. Na bancada da governação (Comité Executivo), desde 2017, a ECA (associação dos clubes/sociedades desportivas) tem dois membros e a European Leagues (EL - associação das ligas profissionais) tem um.

Mas se a EL se bate pelo equilíbrio competitivo e económico das ligas nacionais, com o pressuposto da meritocracia desportiva, já a ECA representa os interesses económico-financeiros dos emblemas mais poderosos, com o pressuposto de que são eles que geram os talentos que fazem brilhar as seleções nacionais, ou seja, talham o "minério precioso" que municia o principal ativo da UEFA e da FIFA.

Este "simplificado" ecossistema, esta espécie de relação de forças, está a alterar (ou adulterar) os princípios do desporto-rei na Europa. E pode ser o cerne de uma revolução que ninguém quer, embora todos achem que alguma coisa é preciso mudar.

Se a revolução for decretada pelo poderio dos mais poderosos emblemas, vinga a ameaça constante de uma Superliga. Mas há uma proposta de "revolução de veludo", mais pela "ingerência" - porque pode e porque sim - da FIFA, que pretende reformular o seu Mundial de Clubes. Se o primeiro exemplo tem sido meramente usado pela ECA para posicionar melhor os emblemas dos campeonatos mais ricos na Champions (Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália têm quatro vagas garantidas), já o segundo faz uso do receio da própria UEFA sobre o primeiro para gerar um produto - o novo Mundial de Clubes - que distribua uma ainda inimaginável receita pela FIFA e pelas confederações de cada continente.

Sobre esta opção, a UEFA, que até já anunciou uma terceira competição para acolher mais equipas de segunda e terceira linhas das ligas mais pequenas (ou menos rentáveis), criou um grupo de trabalho, há poucos dias, para estudar essa proposta da FIFA, o qual inclui o português Tiago Craveiro, CEO da Federação Portuguesa de Futebol, e um dos protagonistas de maior confiança de Aleksander Ceferin, presidente do organismo europeu.

Este é o cenário visível de uma espécie de "ou vai ou racha" do futebol à escala europeia e mundial. Um cenário que tudo tem a ver com as mais recentes notícias sobre a intervenção estatal e da grande Finança russa, hoje trazidos à estampa por O JOGO e pela imprensa no geral.

Este cenário existe graças às astronómicas verbas envolvidas no futebol profissional, sejam elas provenientes das competições entre clubes ou entre seleções, sejam elas de um só continente ou à escala mundial.

O que se soube, através de mais um conjunto de documentos extraídos via Football Leaks e tratados pelo consórcio media que os investiga, é que o governo de Putin, através de empresas estatais e privadas, financiou indevidamente - fora das regras de fair play financeiro da UEFA - três emblemas russos: Zenit (São Petersburgo), Lokomotiv e Dínamo (Moscovo).

E que, devido ao "doping financeiro", esse trio deveria ter sido excluído das competições internacionais em 2013, dando lugar, por exemplo, a equipas portuguesas, país que perdeu, para a Rússia, pontos no ranking "uefeiro".

A UEFA pondera abrir processos, mas a questão do fair play financeiro afeta outros clubes, como o Paris Saint-Germain ou o Manchester City. No caso da equipa de Pep Guardiola, há claramente quem não acredite nessa possibilidade: o redator sénior da EPSN, Gabriele Marcotti, que considera "difícil ver como o City pode ser mais sancionado", depois do acordo a que chegou com a UEFA para cumprir o fair play financeiro de 2014.

"Reabrir o caso seria um duplo risco. Depende da vontade política da UEFA e das partes interessadas (lideradas pelos superclubes europeus): se não havia vontade na altura, também não haverá agora", resume.

E esse é o problema: tal como no restante mundo socioeconómico, o investimento privado não gosta muito da regulação ou da intervenção das tutelas. O problema é que as tutelas, como em tudo na vida, são geridas por homens. E estes, para estarem no topo, precisam de duas coisas: resultados económicos de sucesso e recompensas salariais correspondentes aos sucessos apresentados.

Que é como quem diz, a gestão precisa do dinheiro dos que investem. E quem investe nas sociedades que gerem os maiores emblemas do mundo são gigantescas empresas transnacionais (do petróleo árabe ao gás russo, dos capitais de risco norte-americanos aos fundos instalados em paraísos fiscais), e não sentem a mesma afinidade territorial ou paixão clubística de um qualquer adepto.

Como vem hoje escrito no jornal francês Le Monde, a propósito das questões que envolvem o clube Paris Saint-Germain, "o futebol está em estado de negação". Para o jornalista Jerôme Latta, "embora o PSG seja apanhado, tal como o seu Estado proprietário [o Catar], em vastas lutas geopolíticas, os seus aficionados não revelam fundamento quando se dizem vítimas de perseguição: os acordos com a UEFA a propósito do fair play financeiro ou a sua presença no projeto da superliga atesta isso mesmo". São palavras duras, numa peça onde o redator ataca diretamente comentadores e jornalistas que sustentam a mesma tese de perseguição.

Nota relevante sobre este assunto é, também, a entrevista que o internacional belga Eden Hazard (Chelsea) concede ao diário online Sporza, do seu país, em que refere ser "fundamental recuperar a ordem no futebol, não só na Bélgica, mas em todo o mundo".

Para ele, o "Footgate" em curso, até no seu país, "não é apenas um problema que envolve os agentes dos jogadores, é um problema do futebol em geral". "Pode dizer-se que este é um mundo que onde há muito dinheiro e que há muita gente que não pensa como nós. Pessoalmente, não tenho capacidades para mudar o mundo do futebol, mas há gente melhor posicionada para o fazer", conclui o futebolista.
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Re: [DESPORTO] Futebol Internacional

15 Nov 2018, 15:50 [#7327]
R.Patricio Escreveu:
15 Nov 2018, 07:18
Shalke 04 = Gazprom..
Só para recordar aquele roubo na LC ;)
É das poucas ocasiões que vou ter de concordar com as teorias da conspiração de uma lagarticha :D Mas sim, não foi só esse jogo, ao longo dos úlitmos anos, as equipas russas têm sido muito beneficiadas, talvez não seja por acaso.

Re: [DESPORTO] Futebol Internacional

15 Nov 2018, 19:41 [#7328]
CFC Escreveu:
15 Nov 2018, 15:50
R.Patricio Escreveu:
15 Nov 2018, 07:18
Shalke 04 = Gazprom..
Só para recordar aquele roubo na LC ;)
É das poucas ocasiões que vou ter de concordar com as teorias da conspiração de uma lagarticha :D Mas sim, não foi só esse jogo, ao longo dos úlitmos anos, as equipas russas têm sido muito beneficiadas, talvez não seja por acaso.
Até pode ser uma teoria da conspiração e uma mera coincidência, pode.. (o que até é o mais provável).. Mas depois de ler o que o Eduardo colocou, acaba por ficar mais justificado xD
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Re: [DESPORTO] Futebol Internacional

22 Nov 2018, 14:04 [#7337]
Ao que tudo indica será Varane, Mbappé e Modric para a luta pela Bola d'Ouro. Os franceses alinharam no fim da era Messi-Ronaldo e meteram 2 deles. Até podiam ter posto o Griezmann pelo Modric.

Uma era bonita da História do futebol chega ao fim graças ao que mata o futebol: poder. O poder de Florentino.

E FOI PARANHOS QUE OS F0DEU!

Re: [DESPORTO] Futebol Internacional

22 Nov 2018, 16:13 [#7340]
sportingboy Escreveu:
22 Nov 2018, 15:20
Até podiam não, o Griezmann devia ser o vencedor...
E depois acordas e vais para a escolinha. :geek:

O Ronaldo ganharia este ano sem qualquer sombra de dúvidas. Mas decidiram "acabar com a era". Se fosse o Messi na pole position, não acabavam com era nenhuma. Ou até mesmo o Ronaldo, desde que se mantivesse no Real.

E FOI PARANHOS QUE OS F0DEU!
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