Re: Ah, e tal...

11 Out 2019, 14:23 [#7861]
CFC Escreveu:
11 Out 2019, 11:13
eduardextreme Escreveu:
11 Out 2019, 10:34
Sim, foi bem escrito.
Esqueceu-se também da constante rotulagem de fascismo de tudo aquilo que eles não concordam. Mesmo que em Portugal nunca tenha existido fascismo.
O tempo de Salazar não era fascismo? Era o quê? Só mesmo o Salazar cá do burgo para dizer uma coisa dessas :D
Isso é ignorância. O Estado Novo não tinha características fascistas.
A ditadura portuguesa teve características muito próprias.
Independentemente do modo como o regime de Salazar se via a si próprio, a questão gira em torno de saber em que características, essenciais ou secundárias, o Estado Novo diferiu do padrão fascista: existência ou não de movimento de massas, papel do partido único, estrutura, lugar e papel dos sindicatos e corporações no Estado, características e estilo de governação do chefe carismático, grau de autonomia do poder judicial, liberdades públicas, nível de repressão das oposições políticas, independência da Igreja Católica.

Nos pontos citados, com efeito, há diferenças e semelhanças entre o Estado Novo e o fascismo: há diferenças flagrantes no papel atribuído ao "movimento de massas" e no estilo de governação do chefe; há semelhanças muito vincadas no papel do partido único e no lugar dos sindicatos e das corporações na estrutura do Estado, assim como no cercear das liberdades públicas e no nível de repressão das oposições políticas.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Portugal)
A esquerda, dominando hoje a História e o jornalismo de divulgação, ao contar a História e as “histórias da História”, adoptou, por estratégia interessada nuns casos e por ignorância noutros, a técnica da amálgama. Álvaro Cunhal, um leninista inteligente e que não hesitava em pôr a verdade factual ao serviço da Grande Verdade metapolítica do fim da História e da realização do Comunismo, seguiu sempre essa técnica, tentando reconduzir o Estado Novo à odiosa matriz nazi-fascista.

Ora, tal estava longe da realidade: foi também com pragmatismo que Salazar olhou, por exemplo, o fascismo italiano, identificando-se com ele numa perspectiva de combate comum contra o “perigo comunista”, em relação ao qual não via capacidade de resistência nas oligarquias constitucionais dos países do Sul europeu. Assim, aproximou-se do fascismo no anticomunismo e nalgum léxico político-insitucional “corporativo”, recusando também as pretensões das duas famílias políticas que o tinham apoiado, os monárquicos e os católicos, dizendo não à restauração dos Bragança e não à reversão da Lei da Separação.

Sobre este tema multiplicaram-se os escritos, sobretudo depois do 25 de Abril, tentando aproximar e comparar – para incluir – o que era dificilmente aproximável e comparável. Isto, mesmo depois de Hanna Arendt, uma pensadora política insuspeita de simpatias “fascistas” e muito menos nazis, nos ter vindo trazer uma distinção vital entre democracia, autoritarismo e totalitarismo, incorrendo no “pecado mortal” de aproximar o nacional-socialismo e o comunismo soviético na eliminação dos inimigos de raça ou de classe. Fosse como fosse, a propaganda conseguiu equiparar ao terrível modelo nazi, em termos teóricos e políticos, regimes como o salazarismo, o franquismo e o fascismo mussoliniano, regimes que, não sendo nem pretendendo ser democráticos, não eram totalitários, deixando espaço a alguma liberdade, nomeadamente na religião e na economia.

O Estado Novo de Salazar não foi fascista, até porque o fascismo é também um movimento revolucionário, populista, que tem um projecto de mudança de sociedade, um movimento que é também utópico, voltado para o futuro. O Estado Novo foi, sim, um nacionalismo autoritário e conservador, em que o poder político tinha por objectivo manter a sociedade como estava e conduzir controladamente e autoritariamente a nação e a sociedade por caminhos de que o desenvolvimento económico e o progresso social não estavam excluídos mas em que não eram os objectivos principais.

https://observador.pt/opiniao/o-paradox ... a-direita/
Imagem

Re: Ah, e tal...

11 Out 2019, 15:53 [#7862]
eduardextreme Escreveu:
11 Out 2019, 14:23
CFC Escreveu:
11 Out 2019, 11:13
eduardextreme Escreveu:
11 Out 2019, 10:34
Sim, foi bem escrito.
Esqueceu-se também da constante rotulagem de fascismo de tudo aquilo que eles não concordam. Mesmo que em Portugal nunca tenha existido fascismo.
O tempo de Salazar não era fascismo? Era o quê? Só mesmo o Salazar cá do burgo para dizer uma coisa dessas :D
Isso é ignorância. O Estado Novo não tinha características fascistas.
A ditadura portuguesa teve características muito próprias.
Independentemente do modo como o regime de Salazar se via a si próprio, a questão gira em torno de saber em que características, essenciais ou secundárias, o Estado Novo diferiu do padrão fascista: existência ou não de movimento de massas, papel do partido único, estrutura, lugar e papel dos sindicatos e corporações no Estado, características e estilo de governação do chefe carismático, grau de autonomia do poder judicial, liberdades públicas, nível de repressão das oposições políticas, independência da Igreja Católica.

Nos pontos citados, com efeito, há diferenças e semelhanças entre o Estado Novo e o fascismo: há diferenças flagrantes no papel atribuído ao "movimento de massas" e no estilo de governação do chefe; há semelhanças muito vincadas no papel do partido único e no lugar dos sindicatos e das corporações na estrutura do Estado, assim como no cercear das liberdades públicas e no nível de repressão das oposições políticas.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Portugal)
A esquerda, dominando hoje a História e o jornalismo de divulgação, ao contar a História e as “histórias da História”, adoptou, por estratégia interessada nuns casos e por ignorância noutros, a técnica da amálgama. Álvaro Cunhal, um leninista inteligente e que não hesitava em pôr a verdade factual ao serviço da Grande Verdade metapolítica do fim da História e da realização do Comunismo, seguiu sempre essa técnica, tentando reconduzir o Estado Novo à odiosa matriz nazi-fascista.

Ora, tal estava longe da realidade: foi também com pragmatismo que Salazar olhou, por exemplo, o fascismo italiano, identificando-se com ele numa perspectiva de combate comum contra o “perigo comunista”, em relação ao qual não via capacidade de resistência nas oligarquias constitucionais dos países do Sul europeu. Assim, aproximou-se do fascismo no anticomunismo e nalgum léxico político-insitucional “corporativo”, recusando também as pretensões das duas famílias políticas que o tinham apoiado, os monárquicos e os católicos, dizendo não à restauração dos Bragança e não à reversão da Lei da Separação.

Sobre este tema multiplicaram-se os escritos, sobretudo depois do 25 de Abril, tentando aproximar e comparar – para incluir – o que era dificilmente aproximável e comparável. Isto, mesmo depois de Hanna Arendt, uma pensadora política insuspeita de simpatias “fascistas” e muito menos nazis, nos ter vindo trazer uma distinção vital entre democracia, autoritarismo e totalitarismo, incorrendo no “pecado mortal” de aproximar o nacional-socialismo e o comunismo soviético na eliminação dos inimigos de raça ou de classe. Fosse como fosse, a propaganda conseguiu equiparar ao terrível modelo nazi, em termos teóricos e políticos, regimes como o salazarismo, o franquismo e o fascismo mussoliniano, regimes que, não sendo nem pretendendo ser democráticos, não eram totalitários, deixando espaço a alguma liberdade, nomeadamente na religião e na economia.

O Estado Novo de Salazar não foi fascista, até porque o fascismo é também um movimento revolucionário, populista, que tem um projecto de mudança de sociedade, um movimento que é também utópico, voltado para o futuro. O Estado Novo foi, sim, um nacionalismo autoritário e conservador, em que o poder político tinha por objectivo manter a sociedade como estava e conduzir controladamente e autoritariamente a nação e a sociedade por caminhos de que o desenvolvimento económico e o progresso social não estavam excluídos mas em que não eram os objectivos principais.

https://observador.pt/opiniao/o-paradox ... a-direita/
já percebi, o problema sou eu que não sei a diferença semântica entre fascismo e ditadura.

Re: Ah, e tal...

24 Out 2019, 00:36 [#7863]
Pensei que esta história fosse fake, mas afinal não. xD xD xD
https://www.jn.pt/mundo/um-mandante-e-c ... 38592.html

Um empresário para a um assassino 2 milhões para matar um empresário rival.
O assassino paga 1 milhão a um segundo assassino para ser ele a matar.
O segundo assassino para meio milhão ao terceiro assassino para ser ele a matar.
E por aí fora até ao quinto assassino encontrar-se com o empresário rival e dizer-lhe para simplesmente fingir de morto.
Acabam todos presos e sem ninguém morrer. xD
Imagem

Re: Ah, e tal...

25 Out 2019, 21:24 [#7867]
A culpa é dos grupos parlamentares, que decidiram os lugares mas esqueceram-se desse "pormenor".
Ou então os outros quiseram mesmo fazer isso de propósito ao CDS e ao Chega.
Não custava nada colocá-lo uma fila à frente. Ele está na terceira.
É daquelas incompetências à portuguesa.
Imagem

Re: Ah, e tal...

26 Out 2019, 14:35 [#7870]
eduardextreme Escreveu:
26 Out 2019, 11:18
Eles fazem sempre isso aos novos partidos.
A reunião que serve para decidir os lugares precisa de uma inscrição, coisa que os novos desconhecem.
Mais um processo anti-democrático dos partidos do costume.
O Livre nem tanto, mas a IL e o Chega não são partidos nada bem vindos ao Parlamento. A esquerda, toda, desde PCP ao PS, odeia as ideias liberais da IL e as ideias de extrema-direita do Ventura. O PSD e principalmente o CDS vêm nestes dois partidos grande concorrência, porque são partidos que lhe podem roubar o eleitorado mais conservador e o eleitorado mais liberal. Vão ser 4 anos a levar de toda a gente para estes dois partidos. No caso da IL não sei, quero acreditar que sim, mas no caso do Ventura, tenho a certeza que só lhe vai dar mais força.

Re: Ah, e tal...

15 Nov 2019, 22:47 [#7876]
Jals Escreveu:
15 Nov 2019, 22:06
Só mesmo Portugal para não pôr o comunismo ao nível do fascismo. Em Bruxelas o PS meteu o cu entre as calças e votou a favor, aqui não.
É realmente uma falta de noção muito grande por parte do PS e também do Bloco de Esquerda, não condenar as atrocidades dos regimes comunistas do século XX. Do PCP a gente já estava à espera.

Mas o único bicho papão é o nazismo. Nem comunismo, nem religião, nem nada mais é condenado pelos massacres ordenados.

Esta dualidade entre o nazismo e o resto tem em parte a ver com o facto de os alemães sempre terem admitido e se desculpado pelos acontecimentos durante a segunda guerra mundial. Não há massacre mais bem documentado que o Holocausto.
Todos os outros são branqueados pelos próprios regimes e seus defensores. Seja a União Soviética, China, Japão, Turquia, Cristianismo, Islão ou outra merda qualquer.
Imagem

Re: Ah, e tal...

16 Nov 2019, 16:05 [#7877]
eduardextreme Escreveu:
15 Nov 2019, 22:47
Jals Escreveu:
15 Nov 2019, 22:06
Só mesmo Portugal para não pôr o comunismo ao nível do fascismo. Em Bruxelas o PS meteu o cu entre as calças e votou a favor, aqui não.
É realmente uma falta de noção muito grande por parte do PS e também do Bloco de Esquerda, não condenar as atrocidades dos regimes comunistas do século XX. Do PCP a gente já estava à espera.

Mas o único bicho papão é o nazismo. Nem comunismo, nem religião, nem nada mais é condenado pelos massacres ordenados.

Esta dualidade entre o nazismo e o resto tem em parte a ver com o facto de os alemães sempre terem admitido e se desculpado pelos acontecimentos durante a segunda guerra mundial. Não há massacre mais bem documentado que o Holocausto.
Todos os outros são branqueados pelos próprios regimes e seus defensores. Seja a União Soviética, China, Japão, Turquia, Cristianismo, Islão ou outra merda qualquer.
Eu até consigo perceber o que dizem os socialistas. Um amigo meu que foi agora eleito para deputado escreveu no Facebook pessoal dele que era uma questão de distinguir uma ideologia assassina de um desvio ideológico que levou a mortes. Mas que o PS é uma cambada de hipócritas, isso é. Na Europa, votam a favor porque querem ficar bem vistos perante os amigos europeus. Cá, votam contra porque querem ficar bem vistos perante os amigos PCP e BE. São também burros como tudo, pois isto só dá força ao CHEGA que eles tanto querem combater.

Re: Ah, e tal...

16 Nov 2019, 18:15 [#7878]
CFC Escreveu:
16 Nov 2019, 16:05
Eu até consigo perceber o que dizem os socialistas. Um amigo meu que foi agora eleito para deputado escreveu no Facebook pessoal dele que era uma questão de distinguir uma ideologia assassina de um desvio ideológico que levou a mortes.
Não, não consigo perceber.

Se fosse assim o Nazismo também foi uma ideologia que levou a mortes porque os outros não as quiseram evitar.
Os outros países também tinham um forte anti-semitismo e xenofobia, e recusaram receber judeus e outros que não eram conforme o que os nazis queriam, pelo que livraram-se deles internamente.

O comunismo tem escrito que a única forma de o atingir é através da revolução e repressão violenta e constante. E foi isso que fizeram.
Nenhum país na história matou tantos dos seus próprios cidadãos como a União Soviética e a China.
Imagem

Re: Ah, e tal...

16 Nov 2019, 18:36 [#7879]
eduardextreme Escreveu:
16 Nov 2019, 18:15
CFC Escreveu:
16 Nov 2019, 16:05
Eu até consigo perceber o que dizem os socialistas. Um amigo meu que foi agora eleito para deputado escreveu no Facebook pessoal dele que era uma questão de distinguir uma ideologia assassina de um desvio ideológico que levou a mortes.
Não, não consigo perceber.

Se fosse assim o Nazismo também foi uma ideologia que levou a mortes porque os outros não as quiseram evitar.
Os outros países também tinham um forte anti-semitismo e xenofobia, e recusaram receber judeus e outros que não eram conforme o que os nazis queriam, pelo que livraram-se deles internamente.

O comunismo tem escrito que a única forma de o atingir é através da revolução e repressão violenta e constante. E foi isso que fizeram.
Nenhum país na história matou tantos dos seus próprios cidadãos como a União Soviética e a China.
Concordo contigo. Simplesmente consigo perceber o ponto de vista

Re: Ah, e tal...

17 Dez 2019, 15:35 [#7880]
Centeno diz em conferência de imprensa de manhã que a carga fiscal não vai subir. Orçamento do Estado diz explicitamente numa página que a carga fiscal vai voltar a subir para 35% do PIB. Bora lá entregar uma nova versão do OE porque esta tinha "gralhas". :geek:
Imagem