Concordo com vocês os dois. Se em Março, que foi muito mais soft que agora, teve que se mandar todos para casa para não rebentar com o SNS, agora ainda pior. Houve meses para se prepararem para isto, mas nada foi feito. Foi preciso o SNS virar um caos para se perceber que afinal é preciso fazer acordos com os privados. Aliás, se não me surpreende que haja um "preconceito ideológico" para com os privados por parte de um governo socialista, não consigo perceber como é que o próprio sistema social foi ignorado tanto tempo.
Depois é como diz o Jals e como disse o Carlos Guimarães Pinto. Os transportes públicos sempre tiveram gente ao molho, sempre estiveram a abarrotar. Exige-se distância de segurança em todo o lado menos lá. Toda a gente consegue ver isso. O que é que o atrasado do Pedro Nuno Santos faz? Diz que em média os transportes públicos vão na lotação certa. Olha, foda-se, as pessoas andam de tps é quando vão para o trabalho, é claro que em horário laboral ou de noite pouca gente anda. É como dizer que um gajo com 1 milhão de euros na conta e um gajo sem dinheiro têm, em média, 500000 €.
E depois é isso. A maior parte das empresas que sofreram rombos enormes, primeiro que vissem dinheiro para salvar os seus negócios, foi o crl. Mas as despesas continuam. Aliás, nem os próprios impostos são perdoados. Esta gente quer um estado social forte, mas são incapazes de promover medidas para fortalecer a economia. Querem uma casa forte e resistente mas usam algodão para fazer as paredes. Claro que depois vem um contratempo imprevisível e puf, vai-se a economia abaixo.
Tanto se tentou que se arranjou a maneira de sustentar a economia portuguesa em turismo e envolventes. Agora, é só deprimente ver as medidas tomadas. O governo sabe bem que o setor da restauração é demasiado importante para deixar cair, por isso é que estão a estimular as pessoas a consumir com vouchers e com televisões a filmar políticos a comer fora. Mas também sabe que é preciso lutar contra o vírus. Depois, para conciliar as duas, é um mar de contradições muitas vezes impossíveis de conciliar.
E assim vamos, passo a passo, até à derrota final. Eu acho que uma quarta bancarrota está longe, porque afinal de contas vez aí muito dinheiro da Europa, mas não duvido que vai ser mal gasto e, daqui a uma década e pouco, estejamos a ver outra vez isto mal. Economias robustas como as Alemanhas e afins estão a investir nas empresas, porque sabem que um setor público forte precisa de um setor privado que o sustente. Não é que não invistam no Estado social, mas limitam-se ao necessário. Em Portugal não, gasta-se em empresas esburacadas e em energia a hidrogénio que, segundo todos os engenheiros que conheço, não só é um risco demasiado grande como nem sequer é assim tão eficiente.