O Eduardo disse muito e não disse tudo. Para mim, o problema maior não é os impostos serem uma coisa absurda. O problema é serem-no e não se ver nada em troca. A justiça é lenta como tudo. A administração pública é das mais burocráticas da Europa, farta-se de cometer erros, e se um cidadão se atrasa ou comete um erro, é logo uma multa para cima. A saúde e o SNS, uma bandeira tão grande dos governos de esquerda, é na verdade uma rebaldaria, com condições de merda para profissionais e com listas de espera intermináveis. Os transportes públicos são fracos também. Isto já nem falando que nas vezes que se recorre ao setor privado, é para ajudar os amigos em negócios ruinosos para os Portugueses. Urge perguntar: para que é que os Portugueses pagam uma das cargas fiscais mais altas da Europa? Eu não vou fazer grandes comparações, porque estou aqui há seis meses e felizmente ainda não tive e espero não ter que ver como é a saúde e a justiça da Bélgica. Mas posso estabelecer algumas comparações entre Portugal e a cidade de Leuven em particular:
* Enquanto estudante, o passe anual nos autocarros na cidade custou-me 20€ mais 5€ para o cartão. Em Coimbra, o passe mensal de estudante custava 22€ ou 22€50.
* Nos vários passos burocráticos pelos quais tive que passar no início, era tudo por marcação e com precisão de 15 minutos. Não sei como é agora, mas há uns anos, sempre que eu gaiato ia com a minha mãe às finanças de Arganil ou assim, era sempre 1h para cima porque tínhamos que esperar na fila.
* Uma viagem de comboio (IC) entre Leuven e Oostende (+- 145 km), custa 20€40. Aos fins-de-semana (englobando o final do dia de sexta), as viagens ida-e-volta são ao mesmo preço que as viagens só de ida. Coimbra-Lisboa (+- 200 km), através do IC, custa 19€90 cada viagem.
* O salário mínimo belga é mais do dobro do salário mínimo português.
Posto isto, de que é que nos vale ter um estado socialista a "oferecer-nos" serviços, quando o custo dos mesmos é exageradamente alto e a qualidade roça o péssimo?
Depois há outro ponto essencial que o Eduardo não mencionou, que é a marginalização que fazem do setor privado. O ministro dos NE diz que os gestores em Portugal são maus. Não tenho dados para dizer se são ou não são, mas são declarações que demonstram que nos sucessivos governos, ninguém sabe um caralho do que é dirigir um negócio, ou pelo menos geri-lo sem a ajuda dos amigos do sistema. Os patrões são marginalizados pela esquerda, que generaliza que eles só querem saber é dos lucros e do Ferrari que obtêm com eles, só que esquecem-se que 60-70% (acho que ronda estes valores, not sure) do emprego em Portugal é gerado por PMEs, muitas delas mantidas em atividade com grande sofrimento. O meu pai tem uma oficina de carros, que felizmente é um negócio sólido que corre bem. O meu pai emprega 4 pessoas (incluindo-o a ele). Quando acabei o curso, estive desempregado quase 9 meses antes de emigrar (por opção, dado que fui algo seletivo). Durante esse tempo, estive a trabalhar na oficina dele. Nunca me faltou trabalho e mais houvesse. Havia alturas em que nem sabíamos para onde nos virar. Isto para dizer que, descontando-me a mim, havia lugar para mais duas pessoas. Porque é que o meu pai não contrata? Porque não compensaria, nem de perto, dado que ele teria de aumentar as receitas imenso devido à carga fiscal.
A esquerda, idiota, de armas sempre apontadas àquilo que na visão deles são os ricos, taxa os negócios de todas as maneiras e feitios, pensando que está a criar justiça. Só que os ricos, os que tiverem mais caráter e não mudarem fiscalmente de país, embora menos ricos, continuarão a ser ricos. Já os pobres, arriscam-se a morrer. Em vez de haver uma simbiose entre Estado e setor privado, dado que o próprio Estado é o maior interessado que haja um setor privado robusto, há um ataque feroz por parte do Estado, que, burro, não vê que é auto-mutilação. Esta ideologia baseada no pensamento de que o lucro é um produto do diabo destrói uma economia, sendo que ainda querem fazer-nos ver que está tudo bem.
* Enquanto estudante, o passe anual nos autocarros na cidade custou-me 20€ mais 5€ para o cartão. Em Coimbra, o passe mensal de estudante custava 22€ ou 22€50.
* Nos vários passos burocráticos pelos quais tive que passar no início, era tudo por marcação e com precisão de 15 minutos. Não sei como é agora, mas há uns anos, sempre que eu gaiato ia com a minha mãe às finanças de Arganil ou assim, era sempre 1h para cima porque tínhamos que esperar na fila.
* Uma viagem de comboio (IC) entre Leuven e Oostende (+- 145 km), custa 20€40. Aos fins-de-semana (englobando o final do dia de sexta), as viagens ida-e-volta são ao mesmo preço que as viagens só de ida. Coimbra-Lisboa (+- 200 km), através do IC, custa 19€90 cada viagem.
* O salário mínimo belga é mais do dobro do salário mínimo português.
Posto isto, de que é que nos vale ter um estado socialista a "oferecer-nos" serviços, quando o custo dos mesmos é exageradamente alto e a qualidade roça o péssimo?
Depois há outro ponto essencial que o Eduardo não mencionou, que é a marginalização que fazem do setor privado. O ministro dos NE diz que os gestores em Portugal são maus. Não tenho dados para dizer se são ou não são, mas são declarações que demonstram que nos sucessivos governos, ninguém sabe um caralho do que é dirigir um negócio, ou pelo menos geri-lo sem a ajuda dos amigos do sistema. Os patrões são marginalizados pela esquerda, que generaliza que eles só querem saber é dos lucros e do Ferrari que obtêm com eles, só que esquecem-se que 60-70% (acho que ronda estes valores, not sure) do emprego em Portugal é gerado por PMEs, muitas delas mantidas em atividade com grande sofrimento. O meu pai tem uma oficina de carros, que felizmente é um negócio sólido que corre bem. O meu pai emprega 4 pessoas (incluindo-o a ele). Quando acabei o curso, estive desempregado quase 9 meses antes de emigrar (por opção, dado que fui algo seletivo). Durante esse tempo, estive a trabalhar na oficina dele. Nunca me faltou trabalho e mais houvesse. Havia alturas em que nem sabíamos para onde nos virar. Isto para dizer que, descontando-me a mim, havia lugar para mais duas pessoas. Porque é que o meu pai não contrata? Porque não compensaria, nem de perto, dado que ele teria de aumentar as receitas imenso devido à carga fiscal.
A esquerda, idiota, de armas sempre apontadas àquilo que na visão deles são os ricos, taxa os negócios de todas as maneiras e feitios, pensando que está a criar justiça. Só que os ricos, os que tiverem mais caráter e não mudarem fiscalmente de país, embora menos ricos, continuarão a ser ricos. Já os pobres, arriscam-se a morrer. Em vez de haver uma simbiose entre Estado e setor privado, dado que o próprio Estado é o maior interessado que haja um setor privado robusto, há um ataque feroz por parte do Estado, que, burro, não vê que é auto-mutilação. Esta ideologia baseada no pensamento de que o lucro é um produto do diabo destrói uma economia, sendo que ainda querem fazer-nos ver que está tudo bem.








